terça-feira, 9 de fevereiro de 2016




DESCULPAR versus PERDOAR



Apesar do uso concomitante entre ambos verbos, as palavras desculpar e perdoar pouco têm em comum. Viciada que sou em Etimologia, pesquisei o significado nato de cada um desses dois verbos para discorrer neste artigo. 

Segundo a etimologia da palavra, PERDÃO vem do Latim PERDONARE, que significa: 

Per (totalidade-completude)
Donare (doação-entrega)

Já a palavra DESCULPAR, vem do Latim EXCUSARE, que significa:

Des/Ex (retirar-tirar fora)
Culpa/Cusare (culpa-acusação-causa-ação legal)

Logo, pode-se afirmar ser muito mais complexo o Perdão que a Desculpa, haja vista que o primeiro refere-se a empatia, já o segundo, fica portanto dependente do anterior. Afinal, se não conseguirmos primeiramente ver de forma empática o outro em sua suposta culpa, não há como, de antemão desculpá-lo. 
Pedir "desculpa" fica claro agora se tratar do "culpado" a clamar pela retirada da culpa que de fato assumia possuir. Ou seja, cabe ao outro, que agora é portador de juízo, doar ou não esse veredito. Retirar a culpa de alguém, desculpar de fato, é perdoar primeiro, doar e entregar ao culpado a sua absolvição, para que este, seja definitivamente extinto da culpa que possuía. 
Porém, é íntegra essa ação e obvia, que se uma vez desculpamos, o perdoado já não é portador da culpa, ou seja, está livre de culpa, esta não mais faz parte de si. É interessante que se observarmos essa afirmativa, aquele que uma vez Perdoa e Desculpa, vier a acusar novamente, torna-se-á agora este culpado de calúnia! Afinal, o perdoado não mais é culpado de nada perante remanescente acusação. 
Se "desculpamos", tiramos a culpa, libertamos o outro, e se faz necessário que ao decidir assumir tal ação, seja esta efetuada com a maturidade e compreensão de tamanho significado que esta recai sobre quem é vítima, tanto quanto quem foi portador do erro.

ESQUECER É NECESSÁRIO?



Primeiramente é de grande valia que compreenda-se de forma definida o significado do esquecimento versus memória. Isso, como também profissional da saúde, penso que seja mais enfático vislumbrar ao ponto de vista neurobiológico e não somente etimológico como fiz acima com os termos Perdão versus Desculpa.  Muitas das vezes o que impede, não o esquecimento, mas o amenizar das cicatrizes causadas por determinada ação, fica por conta da contusão registrada, conhecida como Mágoa. A palavra, que tem origem no latim macula, representa um sentimento de desgosto, pesar, sensação de amargura, tristeza, ressentimento. Desgosto = deixar de gostar, amargura = tornar-se do doce para o amargo e ressentimento = sentir inúmeras vezes , o fato novamente. 

Segundo um artigo, publicado por Mauro Maldonato e Alberto Olivero, na Scientific American Brasil, " uma época de predomínio cultural do paradigma medico- biológico, a memória (mneme) é identificada como um mecanismo cerebral puro, um arquivo das informações do sistema nervoso central; por seu lado, a reminiscência (anamnesis) é igualada a alguma coisa mais complexa e sutil do que o simples registro dos eventos. A reminiscência, de fato, implica uma reflexão sobre o passado, uma evocação das lembranças prazerosas ou dolorosas, sepultadas ou censuradas, que formam a essência de nossa individualidade. Mas, como é evidente, a disponibilidade do arquivo não coincide necessariamente com sua consulta e, portanto, a mera existência de uma lembrança, boa ou deficitária que seja, não se identifica com o princípio de identidade e de unicidade que decorre da individualidade de nossas recordações, conforme considera Oliverio. Nos últimos anos, os neurocientistas descreveram meticulosamente as bases moleculares, os fenômenos sinápticos e as alterações dos circuitos nervosos da memória, tentando preencher – por métodos não invasivos e multiparamétricos das imagens cerebrais – as lacunas explicativas da pesquisa psicológica. O conhecimento detalhado dessas dimensões poderia parecer pouco relevante aos que veem a mente como um conjunto de vivências diferentes e de experiências privadas e indizíveis. Em diferentes situações ligadas a danos e alterações da função nervosa, no entanto, a interpretação neurobiológica é fundamental para a compreensão do que acontece em nossa mente, como são reestruturadas as lembranças, como se dá o esquecimento."



Quando os autores da pesquisa refletem sobre o esquecimento, eles apontam questões sinápticas e acima de tudo provam, neurobiologicamente, que esquecer trata-se de algo puramente biofísico. Etimologicamente esquecer significa traduzir a ideia de que a memória da ofensa foi suprimida da consciência. Entretanto, ao perdoar, o indivíduo não deixa de se lembrar da afronta, e nem mesmo seria fisiologicamente falando natural, embora seja possível relembrar a situação de um modo diferente e menos perturbador. Ainda, segundo as pesquisas neurocientíficas, Até aqui, segundo Maldonato, M. et al; "consideramos a memória sem examinar a influência das emoções em suas esferas psicológicas. Os processos emotivos, segundo influenciam e modulam profundamente a biologia da memória. Na verdade, elas provocam inúmeras modificações vegetativas somáticas, cuja tarefa não é apenas informar o cérebro de que o corpo está emocionado – conferindo precisos matizes a determinadas experiências – mas também consolidar as experiências. Pensemos, em relação a isso, no papel exercido pelas endorfinas (peptídeos de ação analgésica similar à morfina que o cérebro libera em resposta a estímulos de dor ou emotivos) ao alterar a função dos mediadores nervosos que modificam a atividade das sinapses nas redes dos neurônios que registram as experiências. 
As emoções intervêm tanto diretamente nos mecanismos da memória, agindo na bioquímica cerebral, quanto indiretamente, por mensagens que o corpo emocionado envia ao cérebro. Trata-se de evidência já consolidada de que nos animais submetidos a experiências ricas de componentes emocionais a memorização é potencializada, já que os nervos (as fibras do nervo vago) indicam ao cérebro a liberação, em âmbito periférico, de substâncias típicas dos estados emocionais, como a adrenalina, secretada pelas glândulas suprarrenais. Nesse sentido, a biologia da memória não diz respeito apenas àqueles fenômenos neurobiológicos que asseguram a codificação de curto ou longo prazo das experiências, mas também à modulação exercida pelas estruturas nervosas e moléculas vinculadas à emoção.


As relações entre emoção e fatores cognitivos mostram o quanto são complexos os sistemas neurobiológicos responsáveis pelas diferentes dimensões da memória. Há quase meio século, o neurocirurgião americano William Scoville e a neurocientista inglesa Brenda Milner descreveram o caso clínico de um paciente, que mais tarde ficou famoso com suas iniciais, HM, que desde o nascimento padecia de uma grave forma de epilepsia que tornava sua vida bastante penosa. O procedimento neurocirúrgico para remover o tecido nervoso que causava as convulsões teve sucesso. A capacidade de percepção de eventos, raciocínio, fala e de recordar os eventos mais recentes foi conservada, assim como a memória semântica, apenas parcialmente alterada. 
Na íntegra, ao contrário, estava a capacidade de revocar tanto os eventos anteriores à cirurgia, quanto os seguintes a esse procedimento. Tratava-se de uma amnésia episódica tanto retrógrada (passado) quanto anterógrada (experiências seguintes). Em decorrência dos estudos sobre HM e sobre as relações entre hipocampo, lóbulo temporal e memória, as pesquisas passaram a examinar as estruturas nervosas que, se prejudicadas, provocam amnésia. Esses estudos demonstraram que a região temporal está vinculada ao sistema límbico (amígdala e hipocampo) e essa região com o diencéfalo (tálamo) através do fórnix: região temporal, sistema límbico e tálamo formam uma espécie de circuito da memória de que, obviamente, faz parte todo o córtex cerebral, em conexão com o temporal. Todas essas estruturas nervosas estão envolvidas na chamada memória explícita, que implica um reconhecimento consciente das experiências de vida. De fato, sensações e experiências, para serem transformadas em memórias explícitas, devem atravessar uma espécie de funil, a região temporal, e, daí, passando pelo hipocampo e pela amígdala (em que são conotadas por características espaciais e emotivas entre outras) alcançar o diencéfalo (tálamo) onde as experiências são reunidas e registradas sob forma de memórias estáveis nos circuitos cerebrais. Esse circuito córtex temporal-hipocampo-diencéfalo permite conectar as diferentes experiências da vida diária (sensações, imagens mentais, emoções, avaliações e juízos de realidade) para transformá-las em memória episódica, em eventos de nossa história individual. Trata-se de estruturas que desempenham papel também na memória semântica, como quando aprendemos nomes novos, registramos estavelmente números de telefones e aprendemos novos vocábulos. Por isso, conforme a amplitude da lesão nervosa, os pacientes amnésicos têm dificuldade não apenas para formar novas lembranças ou para acessar recordações existentes, mas também para apreender novas experiências."


A visão acima citada, tem tão somente o foco neurobiológico enfatizado, porém, se trouxermos esses fatores intrínsecos  e correlacioná-los ao tema em questão do "Perdoar x Desculpar x Esquecer", segundo 
Enright e North, da perspectiva dessa definição, as emoções positivas neutralizariam algumas emoções negativas em um primeiro momento, o que resulta em um decréscimo das mesmas. Ao longo do tempo, havendo uma diminuição substancial das emoções negativas, emoções positivas poderiam ser então intensificadas. Isso leva a constatar que, Worthington também aborda o perdão como um processo que, para ele, tem início com uma decisão e evolui até uma mudança emocional significativa por parte daquele que sofreu a ofensa. Vale ressaltar, conforme afirma Worthington (2005), que sua visão de perdão decisional foi influenciada por DiBlasio (1998), estudioso que propôs a ideia de “perdão baseado em decisão”, definindo-o como uma mudança na “força de vontade” empreendida pela pessoa ofendida com o objetivo de fazer cessar comportamentos nocivos direcionados ao ofensor. Já do ponto de vista de outros autores que foram pesquisados; como Exline e Baumeister (2001), propõem que, quando uma pessoa age de maneira injusta em relação à outra, essa ação efetivamente cria algo como um débito interpessoal. Segundo eles, o perdão poderia então ser entendido como o cancelamento ou a suspensão desse débito pela pessoa que foi magoada, sendo que essa suspensão poderia dar-se através de canais múltiplos, incluindo aqueles que são cognitivos (por exemplo, decidindo não pensar sobre o acontecido ou relembrar os próprios débitos causados a outros), afetivos (interrompendo sentimentos de raiva e hostilidade em relação ao ofensor), comportamentais (decidindo não vingar-se pela injustiça sofrida) e mesmo espirituais. Contudo, em relação a essa definição de perdão, se pensarmos sobre o cuidado dos autores do campo em diferenciar perdão de formas sinônimas, ela parece conflitar com esse esforço, uma vez que “decidir não pensar sobre o acontecido” pode ser entendido como uma forma de negação. 


Diante de visões controvérsias, o perdão e o ato de desculpar, parece de forma racional e neurobiológica, nada necessariamente interdependente. Haja vista que o fato de decidir por "tirar a culpa" do suposto portador desta, seja indiferente de controlar ações neurofisiológicas ligadas à deterioração de memória, seja esta de curto ou longo prazo. Concluo, ao meu ponto de vista, que diferente do que alguns autores e/ou estudiosos acerca do "É necessário esquecer para perdoar", que esta afirmativa possa ser um equívoco, e que um evento definitivamente e cientificamente, independe do outro. 



Escritora Tereza Reche



Links para pesquisa

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-98932012000300008

http://www2.uol.com.br/sciam/artigos/o_fascinio_da_memoria.html

http://www.impactro.com.br/diferenca-entre-desculpa-perdao.aspx




sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016



AFINAL, O QUE SE PASSA NA MENTE DAQUELE QUE MENTE? 



- Por que? Por que? Por que?...


Não saciada busquei na ciência a resposta, ou ao menos, alguns argumentos que acalentem a indignação de simplesmente: por que?
Bom, o texto desta vez é um tanto extenso, porém apreciável. Foi coletado inúmeros artigos para que se fizesse mais tragável, compreender o que se passa na mente daquele que "mente"...
Lendo  Beckert (2005), qual propõe que mentiras, promessas não cumpridas e omissões podem ser compreendidas quando se investiga a relação entre o comportamento verbal – o que se diz – e o comportamento não-verbal – o que se faz.
Ainda segundo o estudo científico sobre a psicologia do maldito mentiroso, o comportamento verbal, habilidade altamente desenvolvida, que nos distingue de outras espécies animais, permite solução mais rápida para problemas comuns à espécie ou ao grupo e possibilita transmissão de práticas culturais. Por comportamento verbal, entendemos todo comportamento (ação) de uma pessoa que produz efeitos noutra pessoa antes de produzir efeitos no meio. Por exemplo, uma pessoa que sinta calor pode pedir a outra que ligue o aparelho de ar-condicionado, no lugar dela mesma ligar. Seu comportamento (verbal), ou seja, sua solicitação agiu sobre outra pessoa e esta pessoa modificou o meio em que ambas se encontravam...

  Pode-se mentir para ter acesso a alguma vantagem ou evitar um “mal maior”. Assim sendo, as pessoas têm maior probabilidade de mentir menos e dizer a verdade diante de contextos em que elas não se sintam julgadas, não sejam criticadas ou, posteriormente punidas.Você, por exemplo, após ter sido punido por dizer a verdade, você a diria  noutra ocasião?


Com isso, podemos entender que as pessoas mentem porque aprenderam a evitar punições ou obter vantagens a partir das mentiras, sejam estas de pessoas ou fatos. Mas o que mais pode contribuir para que as pessoas mintam? 
Segundo muitos estudos, para uma pessoa mentir é preciso que ela tenha as ferramentas e as condições para que a mentira seja elaborada e emitida... Ou seja, nem sempre a culpa se encontra de posse apenas do Pinóquio e, sim do interlocutor. Afinal, há mentiras que nem teriam resultados tão impactantes, se os receptores se dessem ao trabalho de analisá-las ou ainda, detectá-las mesmo que isso trouxesse sofrimento. 


Donjuanismo




Voltando-se para o sentimental, as mentiras tornam-se ainda mais polêmicas, pelo menos para quem sofre com elas... Também pesquisando soluções e respostas no mínimo, coerentes para um contexto menos interpessoal e mais científico, a fim de compreender e não julgar, chego ao estudo de caso de um patologia, relativamente insignificante, mas que pode trazer a longo prazo danos tanto a quem sofre dela, como a quem sofre por sua causa.  

Trata-se do distúrbio, muito comum hoje em dias de romances tecnológicos, conhecido na psicologia como: Donjuanismo, este distúrbio é um protótipo particular de comportamento humano, classificação esta, estribada particularmente em valores culturais e morais. 



Don Juan é um personagem literário tido como símbolo da libertinagem. O primeiro romance com referência ao personagem foi a obra El Burlador de Sevilla, de 1630, do dramaturgo espanhol Tirso de Molina. Posteriormente Don Jun aparece em José Zorrillacom a estória de Don Juan Tenorio. A figura de Don Juan foi também cultuada na música, em obras de Strauss e Mozart, este último com a ópera Don Giovanni, composta em 1787. Outro paradigma do eterno sedutor é a figura de Casanova, conhecida pela autobiografia do veneziano Giovanni Jacopo Casanova.






Mas a figura do eterno sedutor continua atrelada à Don Juan, que aparece ainda na obra de Molière, em Le Festin de Pierre, no poema satírico de Byron chamado simplesmente Don Juan, no drama de Bernard Shaw, chamado Man and Superman.


Segundo Jung, para quem qualquer forma de arte, assim como os mitos, são veículos para a expressão do inconsciente coletivo, Don Juan pode representar nossos arquétipos (Walter Boechat - veja mais sobre o filme).Trata-se de um padrão de personalidade caracterizado por uma pessoa narcisista, enamorada, inescrupulosa, amada e odiada e que faz tudo valer para a conquista de uma pessoa.

O donjuanismo representa um protótipo particular de comportamento humano, classificada particularmente pelos valores culturais e morais. Não existe essa denominação no CID.10 ou DSM.IV, mas isso não significa, absolutamente, que por isso pessoas assim deixam de existir.

Independente das interpretações psicanalíticas sobre o filme Dom Juan de Marco, interessa aqui apenas caracterizar um tipo de conduta atual; a inclinação que as pessoas têm para liberdade sexual explícita. A característica principal do que se pode chamar hoje de donjuanismo, seria uma forte compulsão para sedução, entretanto essa característica não é isolada nem única na personalidade da pessoa, também não é exclusiva do sexo masculino.

Descreve-se o donjuanismo como uma personalidade que necessita seduzir o tempo todo, que aparentemente se enamora da pessoa difícil mas, uma vez conquistada, a abandona por desinteresse. As pessoas com esse traço não conseguem ficar apegados a uma pessoa determinada, partindo logo em busca de novas conquistas. Elas são os anarquistas do amor (Sapetti), tornando válidos quaisquer meios para conquistar, não obstante, os sentimentos da outra pessoa não são levados em consideração. Aliás, Foucault enfatiza essa questão ao dizer que Don Juan arrebenta com as duas grandes regras da civilização ocidental, a lei da aliança e a lei do desejo fiel.

Em psiquiatria clínica, entretanto, o desprezo para com o sentimento alheio pode ser critério para caracterizar uma atitude sociopática ou anti-social. Para o don juan só interessa o hedonismo, o instante do prazer e o triunfo sobre sua conquista, principalmente quando a pessoa de seu interesse tem uma situação civil proibida (casada, freira, irmã ou filha de amigo, etc ou os correspondentes masculinos). Sobre essa característica o escritor Carlos Fuentes, alega ao seu Don Juan a frase: "Porque nenhuma mulher me interessa se não tiver um amante, marido, confessor ou Deus, ao qual pertença ...".

Normalmente essas pessoas ignoram a decência e a virtude moral mas seu papel social tenta mostrar o contrário; são eminentemente sedutores. O aspecto de desafio mobiliza o don juan, fazendo com que a conquista amorosa tenha ares de esporte e competição, muitas vezes convidando amigos para apostas sobre sua competência em conquistar essa ou aquela mulher. Não é raros que esses conquistadores tragam listas e relações das mulheres conquistadas, tal como um troféu de caça.

Por outro lado, segundo Kaplan, deve haver significativos sentimentos homossexuais latentes nesses indivíduos. Esse autor considera que, levando para a cama a mulher de outro, o don juan estaria inconscientemente se relacionando com o marido, motivo maior de seu prazer. Tanto que é maior o prazer quanto mais expressivo é o marido ou namorado traído.

O narcisismo (traço feminóide) dessas pessoas é uma das características mais marcantes, a ponto delas amarem muito mais a si mesmas que a qualquer outra pessoa conquistada. Outros autores acham o donjuanismo um excesso do complexo de Édipo, ou fixação na mãe, já que muitos deles não constituem família com nenhuma de suas conquistas e acabam vivendo para sempre como protetores da família materna.

Nos casos mais sérios a inclinação à sedução pode adquirir caráter de verdadeira compulsão, tal como acontece no jogo patológico. De certa forma, apesar dessa conquista compulsiva servir-lhe para melhorar sua sensação de segurança e auto-estima, uma vez possuído o que desejava, já não o deseja mais. Em alguns casos o don juan começa a se desestimular com a conquista quando percebe que a pessoa conquistada já está apaixonada por ele. Pode até nem haver necessidade do ato sexual a partir do momento em que ele percebe que a pessoa aceita e deseja o sexo com ele. Por outro lado, se a pessoa a ser conquistada é indiferente ou não cede à sedução, o don juan se torna mais obstinado ainda.

Não será totalmente lícito dizer, como dizem alguns, que o don juan se diverte com o sofrimento alheio. Na realidade parece mais que seja insensível ao sentimento alheio do que tenha prazer com ele. De fato, parece que eles não experimentam com o amor o mesmo tipo de sentimento que as demais pessoas. O amor neles é um sentimento fugaz, passageiro e que, continuadamente, tem o objeto-alvo renovado. Se algum déficit pode ser apurado na personalidade do don juan, este se dá no controle da vontade.
Apesar dessa compulsão à sedução, isso não significa que a pessoa portadora de donjuanismo seja, obrigatoriamente, mais viril ou mais ativo sexualmente. Esse quadro não deve ser confundido com a Atividade Sexual Compulsiva onde, aí sim há hipersexualidade.

Portanto, a contínua sedução do don juan nem sempre se dá às custas de um desempenho sexual excepcional mas sim, devido à habilidade em oferecer às pessoas a serem seduzidas, tudo aquilo que elas mais estão querendo. Nesse sentido, todos eles são sempre muito inconstantes, desempenham papeis sociais sempre teatrais e exclusivamente dirigidos à satisfação de suas conquistas, por isso fazem sempre o tipo "príncipe encantado", tão cultuado pelo público feminino. As pessoas sedutoras têm habilidade em perceber rapidamente os gostos e franquezas de suas vítimas e são igualmente rápidos em atender as mais diversas expectativas.

Há quem considere como uma das características fundamentais da personalidade do don juan uma acentuada imaturidade afetiva. O aspecto volúvel e responsável pela constante troca de relacionamento pode ser indício dessa imaturidade afetiva e indica, sobretudo, uma completa carência de responsabilidade ou medo de assumir os compromissos normais das pessoas maduras (casamento, família, filhos, etc.).

"Tentar... Eternamente tentar... Sempre uma nova presa..."

Se designa a atitude de se relacionar sexualmente (com penetração sexual ou não), fortuitamente, fugazmente e sem nenhum compromisso de continuidade. Este relacionamento é fortuito porque não implica, obrigatoriamente, em nenhuma combinação ou contrato prévio, é fugaz devido à provisoriedade da união. Não há compromisso de continuidade porque, ao menor sinal de interesse de um dos envolvidos no sentido de continuar, a relação se desfaz e é evitada (diz-se que fulano(a) não é legal porque pega no pé). Nessa nova modalidade de relacionamento não há envolvimento amoroso, não há cobrança de compromisso e os objetivos se concretizam e se esgotam no orgasmo ou na despedida, normalmente com satisfação bilateral.

As mulheres começaram a expandir significativamente sua sexualidade depois da disseminação do uso da pílula anticoncepcional, nas décadas de 60-70, e a inconsequência sexual que antes era monopólio dos homens, também passou a ser experimentada por elas. Descobriu-se que o prazer podia ser bilateral e, a partir daí, deixou-se de falar que fulano se aproveitou de fulana; ambos se aproveitavam.
A atitude de "Ficar com..." é diferente daquilo que se entende por donjuanismo porque não implica numa verdadeira conquista. "Ficar com..." é uma afinidade recíproca, e um não conquista o outro porque ambos estão, decididamente, com o mesmo objetivo em mente.

Se no donjuanismo a insensibilidade e menosprezo para com o sentimento alheio são a marca do diagnóstico, "ficar com..." implica, em essência e caracteristicamente, na ausência de sentimentos mais profundos de ambas as partes. Assim sendo, não havendo sentimentos profundos, não há o que menosprezar.
Dessa forma, decididamente, entre a população adepta do "ficar com..." não há espaço para o donjuan. Nesse meio ele não encontra sua presa, já que as pessoas não preenchem os requisitos de candidatas, pois são desimpedidas, livres e com vontade deficar com outras pessoas. A compulsão do Don Juan se desfaz ante a ausência do desafio.

Não há denominação satisfatória para descrever a mulher que preenche os requisitos do donjuanismo, mas elas existem indubitavelmente. São também pessoas movidas pela compulsão da conquista e sedução do outro, pela inclinação ao relacionamento impossível, seja com homens mais velhos ou muito mais novos, casados, padres, enamorados de outras mulheres, enfim, pessoas que oferecem alguma condição de desafio.

  No donjuanismo feminino, tanto quanto no masculino, não há necessidade invariável de concluir a conquista através do ato sexual. Basta a mulher perceber que o objeto da conquista está, digamos, aos seus pés, que a motivação para continuar o relacionamento se desvanece. Quanto maior o número de homens, ou mulheres demonstrando desejo de tê-la, menos importância dará aos sentimentos individuais de cada um de seus pretendentes. Costumeiramente são mulheres bem sucedidas, lindas e inteligentes, mas que não conseguem se estabilizar, passando suas vidas a maior parte do tempo sozinhas e desiludidas. 

Evidentemente o mito de Don Juan pode representar um ideal masculino e, em alguns segmentos culturais, também um ideal feminino. A conquista como reforço da auto-estima pode, durante alguns momentos da vida ou em certas circunstâncias afetivas, ser eficiente. Entretanto, sendo a personalidade mais bem estruturada, a atitude conquistadora acaba mais cedo ou mais tarde, dando-se por satisfeita diante do objetivo conquistado. Essa é a principal diferença entre a Sedução Compulsiva e as conquistas normais durante a vida de qualquer pessoa.

Outra característica que diferencia as conquistas circunstanciais, apesar de múltiplas, do sedutor compulsivo, é a ausência de consideração para com os sentimentos alheios que sempre está presente neste último. Nas conquistas múltiplas e circunstanciais a pessoa tem boa noção e crítica sobre os eventuais transtornos sentimentais causados nas pessoas conquistadas e, em seguida, abandonadas.

Psicopatologia

Seria o donjuanismo uma doença? Seria uma doença, merecedora de tratamento ? Considerando o critério estatístico, aquele que constata a normalidade ou não-normalidade tendo como base a ocorrência estatística do fenômeno, podemos dizer que o donjuanismo não é normal (maioria das pessoas não é assim). Na realidade, a expressiva maioria das pessoas não é despojada de consideração para com o sentimento dos outros, mais especificamente, podemos dizer que a maioria das pessoas se mobiliza com o sentimento das mulheres.

Em psiquiatria ou na medicina geral, ser não-normal não significa, obrigatoriamente, ser doente. Para ser objeto de atenção médica é necessário que essa não-normalidade (estatística) implique também em um aspecto de morbidez, ou seja, implica na necessidade de sofrimento da pessoa ou de terceiros. Então, o donjuanismo poderá ser objeto de atenção médica na medida em que produz sofrimento.


Dentre os quadros classificados no DSM.IV e na CID.10, alguns critérios encontrados noDonjuan podem também ser encontrados no Transtorno Dissocial da Personalidade, da CID.10, ou em seu correspondente no DSM.IV, Transtorno Anti-social da Personalidade.


Entre os critérios do DSM.IV para o Transtorno Anti-social da Personalidade temos os seguintes:

Critérios para 301.7 - Transtorno da Personalidade Anti-Social

A. Um padrão invasivo de desrespeito e violação dos direitos dos outros, que ocorre desde os 15 anos, como indicado por pelo menos três dos seguintes critérios:

(1) fracasso em conformar-se às normas sociais com relação a comportamentos legais, indicado pela execução repetida de atos que constituem motivo de detenção.

(2) propensão para enganar, indicada por mentir repetidamente, usar nomes falsos ou ludibriar os outros para obter vantagens pessoais ou prazer.

(3) impulsividade ou fracasso em fazer planos para o futuro.

(4) irritabilidade e agressividade, indicadas por repetidas lutas corporais ou agressões físicas.

(5) desrespeito irresponsável pela segurança própria ou alheia.

(6) irresponsabilidade consistente, indicada por um repetido fracasso em manter um comportamento laboral consistente ou honrar obrigações financeiras.

(7) ausência de remorso, indicada por indiferença ou racionalização por ter ferido, maltratado ou roubado outra pessoa.

B. O indivíduo tem no mínimo 18 anos de idade.

C. Existem evidências de Transtorno da Conduta com início antes dos 15 anos de idade.

Entre esses critérios do Transtorno Anti-social da Personalidade, o Donjuan puro e sem outra patologia poderia cumprir os itens 1, 2, 3 e 7. Não mais que isso e, talvez isso não seja suficiente para alocar essas pessoas nessa classificação. Normalmente elas trabalham, não costumam ser irritáveis e agressivas, não desrespeitam a segurança própria, etc.

Entretanto, sob o código 302.9 do DSM.IV há o chamado Transtorno Sexual Sem Outra Especificação. Diz lá, que esta categoria é incluída para a codificação de uma perturbação sexual que não satisfaça os critérios para qualquer transtorno sexual específico, nem seja uma Disfunção Sexual ou uma Parafilia. 
Cita como exemplos o seguinte:

1. Acentuados sentimentos de inadequação envolvendo o desempenho sexual ou outros traços relacionados a padrões auto-impostos de masculinidade ou feminilidade.

2. Sofrimento acerca de um padrão de relacionamentos sexuais repetidos, envolvendo uma sucessão de amantes sentidos pelo indivíduo como coisas a serem usadas.

3. Sofrimento persistente e acentuado quanto à orientação sexual.

Nosso Don Juan poderia ser incluído no item 2 desse diagnóstico mas, mesmo assim, fica meio vago e pouco preciso pois, em nosso caso, o sofrimento seria mais por conta das vítimas do Don Juan que dele próprio e isso não está claro na descrição do DSM.IV.
A impressão (falsa) que se tem sobre o don juan é que, assim como é bem sucedido nas conquistas amorosas, também deve sê-lo em relação aos demais aspectos de sua vida. Entretanto, apesar dessas pessoas dominarem muito bem a arte da conquista do sexo oposto, elas não costumam ter a mesma habilidade em outras áreas da atividade humana; ocupacional, empresarial, estudantil ou mesmo familiar. Geralmente estão em falhas por exemplo em situações fixas como assumir filhos, assumir casamentos, assumir um relacionamento. 

A trajetória de sua vida nem sempre resulta num final satisfatório. Normalmente as pessoas com esse perfil de personalidade acabam por não se fixarem com nenhuma companhia mais seriamente, não constituem família e acabam se aborrecendo quando constatam que não têm mais facilidade para conquistar mocinhas de 20 anos quando já estão na casa dos 60. Além disso, muitas vezes acabam ridicularizados por essas tentativas totalmente fora do contexto.

Além disso, eles podem atravessar períodos de grande angústia na maturidade quando se dão conta de que todos seus amigos estão casados têm família e eles já não podem desfrutar de tantas companhias femininas como outrora.

Tendo-se em mente a natureza constitucional do donjuanismo, ou seja, considerando ser este um defeito do caráter, o tratamento mais eficiente deve ser pleiteado para as intercorrências emocionais que acometem o paciente por conta da situação vivencial em que se encontra e não, diretamente dirigido à essa característica da personalidade.

Segundo a Psicóloga Rosana Augusto, em um artigo de sua autoria, por muitas vezes, tanto os homens quanto as mulheres, tendem a justificar sua solidão por não encontrar alguém ou quando encontram relatam não conseguem viver um “amor”. Nessa inquietude da conquista, certa instabilidade gera uma busca pelo grande objeto do desejo no processo de “conquistar” que se distancia do encontro com a pessoa a ser conquistada.




Neste jogo de sedução, ao se alcançar a conquista é presente a monotonia caracterizando as relações rápidas e volúveis sem a existência do vínculo afetivo com o sentir de um “vazio” depois de expectativas frustrantes.



Na Psicologia, Jung coloca os efeitos do complexo materno que podem gerar distúrbios psíquicos, como o Don Juanismo caracterizado pela imagem da mãe como mulher perfeita, que não possui defeito e que está sempre de prontidão para atender os desejos do homem. Neste sentido, a figura materna presente e registrada na psique do homem tende a interferir cada vez mais em suas relações e em suas paixões. Em seguida, a conquista passa ocupar um “lugar” aonde acontece esta comparação podendo ter como resultado o desaparecimento repentino da paixão que insere a ideia de uma relação vazia e desinteressante.

Diante desta experiência, a relação é interrompida por não conseguir firmar laços duradouros, devido a busca da perfeição em todas as mulheres que se aproximam, encontrando nas outras pessoas defeitos imaginários para justificar o término da relação. Tendo a ilusão constante e atormentadora, de que pode estar perdendo tempo demais com a atual sendo que possa haver outra ainda mais perfeita que esta, a ser conquistada. Por outro lado, quando houve uma relação saudável com a mãe, o fortalecimento inconsciente deste vínculo passa a ser duradouro refletindo na procura da imagem da mãe nas outras mulheres.

Concluindo... O fator que leva um indivíduo, seja do sexo masculino ou feminino a não assumir a veracidade de suas ações,  ou da ação de iludir o próximo, é sem dúvida alguma, um dano maior do que ele se dá conta, pois afeta, sobretudo a si mesmo, depois ao outro.

Escritora Tereza Reche





Links de Pesquisa

http://www.inpaonline.com.br/mentira-por-que-as-pessoas-mentem/

http://www.psiqweb.med.br/site/?area=NO/LerNoticia&idNoticia=172

http://www.elidioalmeida.com/2011/04/por-que-as-pessoas-mentem/

http://www.psicologoeterapia.com.br/psicologo-crescimento-pessoal-e-profissional/porque-as-pessoas-mentem/

http://www.psicologiamsn.com/2014/02/o-jogo-da-seducao-e-sindrome-de-don-juan.html

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016







- ENTREVISTA COM AUTORES II - 

POR TEREZA RECHE

Nome: Pedroom Lanne



A segunda entrevista dessa coluna, será com o escritor Pedroom Lanne. Segundo o próprio escritor, sua vida é um site sem senha de acesso, todos os detalhes de sua carreira desde a época da faculdade quando cursou Comunicação Social com habilitação em Produção Editorial, de sua carreira profissional como webwriter e professor universitário até chegar a atualidade em que se tornou escritor, se encontram em seu Weblog no endereço:

http://www.pedroom.com.br/portal/weblog/index.htm



Entrevista

Tereza Reche: 
Como e quando o sr(a) iniciou sua carreira, e o que o levou a isso?


Pedroom Lanne:
Desde a época da escola eu nutri o desejo de escrever, na sexta série cheguei a iniciar a escrita de um livro à mão (não sabia datilografar e sequer existia computador na ocasião), entretanto, não cheguei a completar esse primeiro esboço literário. Depois, a vida e a necessidade de trabalhar me levou para outros caminhos, em duas outras oportunidades novamente iniciei a escrita de um livro, mas larguei no meio do caminho, somente quando fiz meu curso de mestrado (em Comunicação) é que perdi o medo de escrever e voltei a nutrir o desejo de ser escritor. Em 2012, finalmente decidi iniciar um período sabático para me dedicar 100% a escrever, assim, em 2013 escrevi e completei meu primeiro livro “Adução, o Dossiê Alienígena”, publicado em 2015 pela editora Talentos da Literatura Brasileira.

Tereza Reche:

Cite suas obras e onde encontrá-las por gentileza.

Pedroom Lanne:
Bom, eu tenho o livro impresso “Adução, o Dossiê Alienígena” cuja melhor oferta para o leitor é pelo site da AMAZON. O leitor que desejar adquirir um exemplar autografado diretamente comigo pode fazê-lo através do MERCADO LIVRE. Existe também a versão em ebook que é divida em três partes: “Adução – Início: Dossiê de um Transmutado Alienígena”; “Adução – Parte II: O Estranho Universo Quântico” e “Adução – Final: A Guerra da Inteligência Artificial”, à venda pelo KINDLE (melhor oferta), KOBOBOOKS e Clube de Autores.



Vem aí a continuação da obra “Adução”, intitulada “Abdução, Relatório da Terceira Órbita” cuja primeira parte em breve estará disponível em ebook pelas plataformas supracitadas.






Tereza Reche:
A Literatura há alguns anos, vem tomando novo corpo, a tecnologia propiciou isso. Publicações virtuais, facilidade em se auto publicar, dentre outras vias. Ao seu ver, como escritor da atualidade, esse cenário é de fato benéfico à Literatura?

Pedroom Lanne:
Independentemente de ser benéfico ou não, nós escritores (e os publishers também) precisamos rever conceitos, pois me parece que a nova formatação do mercado editorial é irreversível, todos precisam se adaptar, tanto o escritor na busca de público leitor, quanto os editores que não quiserem se ver fora ou à margem do mercado. No caso do escritor, ele precisa estar antenado com a onda digital e buscar os espaços que lhe trarão os melhores benefícios. Eu pessoalmente acho benéfico, pois hoje ninguém pode dizer que não conseguiu publicar seu livro por falta de espaço. Talvez, o lado ruim para o escritor, seja ser lido em meio a babel de publicações que cresce incessantemente, mas, creio, sempre haverá espaço para todos, a qualidade deve prevalecer e, para a mediocridade, também há o leitor mediado o qual se pode atingir através da rede, basta que se encontre os caminhos certos para cada público.


Tereza Reche:  
Qual o papel do escritor, em relação a disseminação e consequente transformação mental, intelectual e filosófica dos leitores como sociedade? 

Pedroom Lanne:
Eu acho de extrema importância, mas, como escritor, aquele que por ventura ler esta declaração poderá pensar que estou puxando a sardinha para o meu lado. Fato é que durante toda minha vida como estudante desde o primário até o mestrado, a literatura sempre foi um objeto utilizado pelos professores como meio de reflexão e transformação mental, e se hoje sou escritor, isso se dá também graças a todas essas reflexões, debates em sala de aula e as obras que li. Tanto que em minha obra, o título “Adução”, não se trata de uma mera aventura de ficção-científica, se um dia aprendi através das palavras de outros escritores, quero que meus possíveis leitores aprendam também, por isso, utilizo o foco de uma inteligência superior a nossa para trazer uma série de filosofias e reflexões sobre a sociedade terrena contemporânea. Se não bastasse, como professor, ainda elaborei um questionário anexo ao livro para estimular o pensamento crítico do leitor (e como promoção que concorre a um exemplar do meu próximo livro).

Tereza Reche: Escrita ou Vendas? Partindo do seu ponto de vista, qual desses substantivos femininos melhor se encaixaria no cenário literário atual? E por que?

Pedroom Lanne:
Para quem escreve, escrita. Para quem vende, vendas. Pensando na questão anterior que comentei sobre o cenário atual, para quem escreve está bom, pois não faltam facilitadores para escrever e espaços, sobretudo nas novas mídias, para o autor publicar e divulgar seus textos. Já para quem vende, a observação do cenário se dá no único sentido de lucrar em cima de quem quer publicar. Uma coisa é um sítio virtual que cobra comissão sobre a venda do autor, outra, ruim, a meu ver, são editoras que enxergam nas novas mídias um meio de repassar o ônus de uma publicação inteiramente para o autor enquanto o prende em um contrato e lucra com o bônus que cabe ao próprio autor levantar. São aqueles famosos links “publique seu livro” nos quais as editoras “pedem” para o autor comprar uma quota da tiragem inicial do livro, uma vez pago esse valor, a editora está livre de ônus, a partir daí, cabe ao autor correr atrás de seu leitor e o bônus das vendas do livro ficam com a editora – sendo que muitas nada agregam ao livro a não ser enviá-lo para gráfica. Eu espero que após o boom desse tipo de auto publicação prevaleçam as editoras que prestem um bom atendimento, uma boa parceria e divulgação junto ao autor, pois o que tenho testemunhado de muitos escritores são editoras cobrando por publicações e prestando um péssimo serviço desde a preparação da obra até a sua publicação e divulgação. Eu mesmo vivi um problema com uma editora que trabalha dentro dessa lógica, a qual tive gastos advocatícios para desfazer um contrato quando me deparei com um editor mal educado, arrogante e que deixou claro nas entrelinhas que o trabalho da editora não contemplaria o que havíamos acordado antes do contrato ser assinado.

Tereza Reche: 
Qual escritor admira? E qual escrita aguça sua curiosidade literária?

Pedroom Lanne:
Os escritores que mais admiro são Anthony Burgess, autor de Laranja Mecânica, e George Orwell, autor de 1984. Entre os escritores brasileiros, o meu preferido é Érico Veríssimo. Também admiro muito e gosto do escritor luso Eça de Queiróz. Já o meu escritor número um, pelo qual iniciei minha jornada no mundo da leitura ainda na pré-adolescência e quem me despertou a paixão pela literatura é Edgar Allan Poe. Atualmente, o tema que mais tem me aguçado curiosidade é o mesmo da obra que escrevi, ou seja, ficção-científica, sobretudo a leitura de grandes clássicos que ainda não tive oportunidade de ler, tais como Isaac Asimov, H. G. Wells e H. P. Lovecraft.

Tereza Reche: 
Como você avaliaria a literatura que se encontra no ranking dos melhores e mais vendidos?

Pedroom Lanne:
Mediana. Pois geralmente é assim, best-seller é o livro que agrada mais leitores pelo simples fato de se tratar de um texto de leitura mediana, dessa forma, mais digerível pela maior parte do público, entretanto, sem a profundidade dos grandes clássicos. Quanto aos critérios, para se escrever um best-seller, sim. Mas se tomarmos a literatura como arte, não. Um dos vieses para se compreender a arte é perceber que a mesma evolui, justamente, pela quebra de padrões estéticos e o abandono de critérios padronizados. Eu mesmo tentei quebrar alguns padrões literários em meu livro, busquei trazer alguns elementos da nova linguagem cibernética para compor elementos da narrativa, o que não sei se está sendo bem aceito por alguns leitores e, tenho certeza, foi motivo de recusa por parte de alguns editores. Em termos de critério, uma vez me perguntaram a respeito em relação ao meu livro, no caso, conforme respondi, este foi a intuição. Para mim, o mais importante na concepção de um romance é isso, a intuição e a criatividade (como regra, eu entendo que esta se traduz pela gramática da própria língua). Porém, há um limite, que está na coerência da narrativa como um todo. Mantendo a coerência da narrativa de forma que ela tenha um sentido e um significado, não há limites para a criatividade nem para o intuitivo.

Tereza Reche: 
O que você, na pele de leitor, jamais leria?

Pedroom Lanne:
Livros de autoajuda. Prefiro amadurecer minha loucura ao invés de reformatar minha psique segundo os padrões esperados pela sociedade, nem que para isso termine meus dias em um sanatório e sem um tostão no bolso.

Tereza Reche: 
Cultura e Intelectualidade caminham de mãos dadas, entretanto não são homogêneas... Afinal, a sociedade está mais intelectualizada ou apenas mais “antenada”?


Pedroom Lanne:
Mais antenada. Vejo que muitos jovens hoje dispõem de informações e demonstram sacadas que nós da era pré-Internet demorávamos anos para sacar ou tínhamos que percorrer obscuros bastidores para ficar sabendo. Entretanto, isso não é sinônimo de intelectualidade, dado que esta só vem ao lado da maturidade. Sempre, na história humana, o grande papel dos mais velhos é repassar sua sabedoria e sua experiência acumulada para os mais jovens, e não creio que a massificação dos meios irá mudar isso. As novas mídias facilitam o acesso ao conhecimento, mas, por si só, não garantem que ele será corretamente compreendido, pois isso depende da dedicação de quem está na outra ponta da linha, do desenvolvimento de algo que se pode ilustrar através da palavras bom senso e pensamento crítico. E outra, todas essas facilidades conferem uma grande evolução no acesso ao conhecimento, de modo que não basta ao jovem atual ser tão intelectualizado como as gerações anteriores, eles precisam ser melhores, precisam ir além, pois deles dependerá o futuro da humanidade. Se o jovem atual está preparado para criar um mundo melhor é impossível, ao menos para mim, afirmar. Todavia, há de se dizer que, com a ascensão das novas mídias, ao menos está municiado para tal. No que tudo isso vai dar, somente quem viver, verá.

Tereza Reche: 
Quais seus planos para 2016 em relação a sua vida literária?

Pedroom Lanne:
Completar a escrita de meu segundo livro “Abdução, Relatório da Terceira Órbita”, no qual pretendo ir mais fundo das reflexões iniciadas no título “Adução”, e que promete algum tipo de polêmica entre possíveis leitores da obra, pois deixei para esse segundo volume as reflexões sobre os temais delicados hoje em voga em nossa sociedade.




Foi um prazer ter sua participação no Blog Por Tereza Reche. 

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016



CÁ ESTAMOS...


Cá estamos nós... Feito o trabalhador diante a segunda-feira...
Prontos à novas dores, pronto à novos sorrisos, mesmo que por instantes. Há os que se enganam, mal entendem e julga-nos à espera destes... Pobres. 
Mal imaginam, que de nós, nada terão...
Disso é feito aquele que bem sabe para que se encontra nesta dimensão de loucos.
Bem sabe o louco que não há dimensão que o absorva.
Então, nos basta apenas despertar após o encantamento e saber:
Em breve, logo outro de nós se apossará!



Escritora Tereza Reche

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016



UNIDOS SOMOS MAIS FORTES

























O Blog Por Tereza Reche agora tem um espaço reservado aos colegas escritores. Semanalmente será postado no blog entrevistas e uma sinopse do livro escolhido pelo profissional, posteriormente divulgado em fan pages parceiras, grupos literários, dentre outras formas de divulgação pertinentes. Os profissionais literatas que tiverem interesse em participar do projeto podem dar continuidade ao processo o que disseminará a literatura por toda Rede Social. Afinal, unidos somos mais fortes...



#unidossomosmaisfortes