domingo, 13 de setembro de 2015



Lana Del Rey

"Young and Beautiful"


Tradução



Já vi o mundo, fiz de tudo

Tive meu pedaço do bolo agora

Diamantes, brilhantes

E Bel-Air agora Noites quentes de verão no meio de
julho

Quando você e eu éramos eternamente loucos

Os dias enlouquecidos, as luzes da cidade

A maneira como você brincava comigo como uma

criança

Você ainda me amará

Quando eu não for mais jovem e bela?

Você ainda me amará

Quando eu não tiver nada além de uma alma que dói?

Sei que você irá, sei que você irá

Sei que você irá Você ainda me amará

Quando
 eu não for mais bela?

Já vi o mundo, eu o acendi

Como meu palco agora

Fazendo anjos entrar A nova era agora

Dias quentes de verão, rock and roll

A maneira como você tocava para mim no seu show

E todas as maneiras que conheci

Seu bonito rosto e sua alma elétrica

Você ainda me amará

Quando eu não for mais jovem e bela?

Você ainda me amará

Quando eu não tiver nada além de uma alma que dói?

Sei que você irá, sei que você irá

Sei que você irá Você ainda me amará

Quando eu não for mais bela?

Querido Senhor, quando eu for para o céu

Por favor, deixe-me levar meu homem

Quando ele chegar, diga-me que

Você o deixará entrar Pai, diga-me se puder

Oh, aquela graça, oh, aquele corpo

Oh, aquele rosto, me faz querer festejar

Ele é meu sol, ele me faz brilhar como diamantes

Você ainda me amará

Quando eu não for mais jovem e bela?

Você ainda me amará

Quando eu não tiver nada além de uma alma que dói?

Sei que você irá, sei que você irá

Sei que você irá Você ainda me amará

Quando eu não for mais bela?

Você ainda me amará

Quando eu não for mais bela?

Você ainda me amará

Quando eu não for bela e jovem

sábado, 12 de setembro de 2015


A CULPA É DOS ERITRÓCITOS




Há quem diga que muitas ações são nobres. E sim, são.
Porém nem sempre o nobre é edificante. Quando tomamos uma decisão muitas das vezes não mensuramos a extensão da responsabilidade que adquirimos. Pegamos um cãozinho, um gatinho, uma criança...Tomar a posição de dono, coadjuvante na vida de alguém ou algo que não nos pertence de fato, é profundo demais, muito além do que se imagina. Não, ninguém, nem eu ou você estamos preparados para isso. Até imaginamos estar, mas não estamos. Quando agregamos algo ou alguém ao nosso habitat, isso faz de nós obrigatoriamente responsáveis pela transição que assentará este ser entre nós. Mesmo assim, não ocorrerá... Algo se inverte, sendo o agregado agora visto como prisioneiro de seu próprio destino. A causa do desiquilíbrio e, sobretudo, o responsável por manter a harmonia. Afinal, foi "agraciado" por estar ali... Todos os passos são assistidos atentamente pelos protagonistas, e feito figurante precisa achar seu lugar, ou entender que não há...
Externamente, pode parecer que sim, mas no mais íntimo de cada ser, daquele que agrega e daquele que supostamente é agregado, algo atípico acontece. Todo e qualquer esforço jamais será o bastante, serão apenas desgaste de amores, uns desejados e outros desfeitos durante o processo. A poção para o encantamento é dada erroneamente, pois a receita é outra! É como água em lugar de combustível... Não que seja danoso, mas não é o que fará funcionar. Pense numa peça de quebra-cabeça, um formato diferente de um jogo qualquer... Esta peça jamais se encaixaria, não lhe haveria espaço sequer existente. Estaria a procurar uma vaga, uma reentrância. Com muito custo e exaustão, pensaria estar conectando-se em um dos quatro cantos da tela, mas ainda assim, estaria de fora. Todo agregado familiar é como uma tela desse quebra-cabeça, onde quer que haja espaço, já tem pré-definido sua peça particular, seja antes ou depois esta surgirá e mais uma vez, a peça disforme deixará de ter lugar. Mas há uma névoa de solidão, de dor e ansiedade rodeando-a constantemente, pois ninguém sobrevive bem ou em paz, sem encaixe na tela... Ninguém tem culpa nesse fenômeno, a não ser os eritrócitos auto-imunes. Apenas fazemos juntos, parte dele. Ninguém é obrigado a se dissipar o jogo perfeito para danificar o formato ideal. Mas ninguém, que solitário assiste a tela de fora, confuso por teoricamente fazer parte dela, haverá de sentir-se feliz. Viverá sem pisar o chão pintado na tela, não conseguirá tocá-la de fato... Apenas emitirá mensagens incompreendidas, e receberá as mesmas de lá. Sempre será um corpo estranho, causando reações inflamatórias, sejam estas externizadas ou não... E essa peça, solitária e exausta se arrastará por aquele habitat, sempre buscando migalhas de um amor incompleto, mendicando um espaço que não lhe é de direito. A tela até diz de longe que estes são parte dela, mesmo sabendo que jamais foram... E ambos, distantes e perto, vivem confusos, sem saber como agir diante da ação que, mesmo trazendo tanto desconforto e dor é sim, nobre em sua essência. É bela a história que conto, mesmo em sua extravagante tragédia, ainda assim deve ser bela a história...Talvez para os que estejam bem encaixados, aquecidos pelo contato das peças do lado, achem tais palavras injustas... Mas, peças que se aquecem com os próprios braços, bem sabem o que descrevo, afinal, a culpa é de nossa imunidade, contra tudo aquilo que não faz parte de nós... Aos que se aventuram em agregar, tenho a mais íntima e íntegra admiração. Pois não há herói maior que aquele que acredita na causa fadada ao insucesso. 




























Escritora Tereza Reche

domingo, 6 de setembro de 2015



A MULHER QUE NÃO PRESTAVA





Ela, a mulher que não prestava, costumava ser cruel... Era o tipo de mulher que mexia com os sentidos deles, os homens... Mas estes não mexiam com os dela. Não mais. Ela era o tipo de mulher que falava com os olhos, mas calava-se definitivamente, e se algo dizia, não, não era verdade. Ela não prestava. Fumava, dançava nua e não tinha pudor no que fazia... Ela não se gostava. Mas era feito o sabor de algo bom, que quando degustado costumava entorpecer. Eles a amavam... Mas ela não amava a ninguém. Houve dias em que amou, mas já não mais era problema para ela... Ela agora era a mulher que não prestava para isso. Andava distante de todos, e os tinha sempre ali, rodeando quando precisasse, e se precisasse... Ela os levava para onde e quando desejasse. Eles achavam tê-la, mas ela os tinha a todos, ninguém a teria. Era como um suave veneno doce, um sabor viciante que quando sorvido jamais esquecido seria. Sua beleza era irritante, camuflada em uma tristeza que não existia... Em problemas que ela criava para fazer-se dominável, coisa que jamais fora e jamais seria. Queimava não ter o que desejava de imediato, se cansava do que em suas mãos sempre tinha. Ela era deliciosamente necessária aos olhos distantes, às peles ardentes do sonho dos homens, de mulheres que à ela desejavam. Sentir a dor alheia lhe causava prazer, um prazer tão fácil de ir e vir. Tudo nela era fácil demais, isso, vez e outra perdia a graça. Procurava algo difícil de ter de sentir, de pertencer. E ela, a mulher que não prestava, sofria por não encontrar... Fumava cada desejo embutido, e ao realiza-lo, o dispensava como a névoa que da sua boca seca agora desfazia. O som que cada paixão lhe arrancava era razoavelmente bom, mas tão passageiro quanto os desejos que tinha. O mistério do seu silêncio, o jogo que sempre fazia, confundindo, magoando, rindo-se de todos os que pensavam fazê-la de tola, era sutilmente tragado pelo seu respirar sempre. Sua frieza era mística e portava beleza inatingível, mesmo sendo esta, dolorosa quando se achavam tê-la derretido por inteira, não, não a tinham... Nada a faria cessar, estagnar a rotina de simplesmente dispensar... Dispensar... Dispensar. Até algo parecer de fato desejoso, e ela, a mulher que não prestava; que se desnudava facilmente e que fumava ardentemente a cada paixão que achava laça-la, temer o pior...!Não, não permitiria, fugiria, mentiria até o fim, a si mesmo se necessário fosse, pois, amar não poderia! E ela, a mulher que não prestava, escolheu renegar o fantasma que a perseguia, aquele que a acorrentaria num submundo tenebroso de sossego e dor. Um fantasma chamado Amor. Ninguém a entenderia de fato, ela já havia desistido... Apenas precisava ser exatamente assim, ser engolida por todos os desejos do mundo que a ela buscavam, e quem sabe assim,ver-se livre do fantasma da dor. Ela era aquela que a nenhum prestava, nem aos que a odiavam menos ainda aos que a amavam. Deseja saber se ela importava? Não. Ela simplesmente era a mulher que não prestava...


Escritora Tereza Reche

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Mais um fragmento do romance histórico publicado em janeiro deste ano pela Editora Perse.
Quem gostar e se interessar em adquiri-lo, basta entrar no site:
www.perse.com.br


O SILÊNCIO DE EULLER
(Fragmento do romance)




[...]No hospital psiquiátrico onde o físico se encontrava, Andrei 
após as festas, retornava para rever seus pacientes. Em seu 
lugar havia estado outro médico que lhe passava os casos, um a um. 
- E quanto ao paciente Kutner? Tem apresentado alguma melhora nestes últimos dias Dr. Fábio? 
- Não, na verdade continua apresentando a postura de 
flexibilidade ceroso de sempre, e agora repete as últimas 
frases que acaba de ouvir. 
- Sim, característico e normal para Esquizofrenia Catatônica. 
Incrível, mas apesar dos medicamentos, ele parece gradualmente progredir em sintomas, e não o inverso. Isso me preocupa. 
- E se envolvêssemos mais os familiares Dr. Andrei? Eu 
estive em um congresso sobre Esquizofrenia há três meses, 
fora discutido exatamente este tópico em mesa redonda, o 
envolvimento da família, de pessoas próximas, para a melhora dos sintomas. 
- Não sei, ele ainda apresenta indícios de psicose, precisamos 
observá-lo mais um pouco.    
  Analisava enquanto percorria com os olhos seu prontuário 
diário. Um som estranho vindo do corredor interrompeu sua 
leitura, e fez com que Dr. Fábio se levantasse surpreso. 
- O que foi isso?!   
  Segundos depois os passos fortes e rápidos dos enfermeiros 
foram ouvidos e passaram pela porta do consultório de 
Andrei, certamente se tratava de algum paciente... 
- Vamos, veio do corredor da direita!   - correram apressados 
seguindo o tumulto, entre vozes e gritos de vários outros 
pacientes, algo soou como um espancar na mesa de ferro. 
Enquanto corriam, logo foi percebido, vinha do quarto de 
Kutner! 
- E depois quer os pais dele aqui?  - questionou Andrei 
enquanto tomava a frente apressando ainda mais os passos. 
Chegando ao quarto, um dos enfermeiros tinha em um dos 
braços um corte profundo, porém, mesmo assim detinha com força Kutner. O físico violentamente gritava para que o 
largassem, pois precisava, segundo ele: - “salvá-la”. 





- Eu preciso salvá-la! Vejam o que estão fazendo com ela meu Deus! Chamem a polícia! Deixem-me salvá-la! Por que não entendem?   - aplicaram imediatamente mais um neuroléptico, para que se acalmasse evitasse mais danos. Muito sangue espalhava-se pelo recinto, porém de Josué o enfermeiro que ao perceber que Kutner se acalmava, deixou-o finalmente. Era um homem forte, negro e extremamente profissional, não deixaria o paciente mesmo esvaindo-se em sangue. Minutos depois, Kutner adormeceu, e mais alguns medicamentos iam sendo administrados para que pudesse ser higienizado, e permanecesse atado nas correias da maca.  
  Duas semanas depois, em uma noite tranquila e quente de 
São Paulo, os jovens estudantes de Medicina tomavam cerveja e falavam da vida em um dos inúmeros pubs que a cidade oferecia. Charlyni preferia outras bebidas, e enquanto a escolhia no cardápio calmamente, Anderson a questionou com ares de quem já havia combinado tal questionamento com a namorada Vera:


- Está pensando em exercer a profissão em um convento 
Charlyni?      - riram-se os amigos com discrição, e ela 
fitando-o respondeu levando aquele comentário na esportiva: 
- Ainda não havia pensado nisso, mas é que minha vida promíscua secreta me impede.   – disse ironicamente tomando sua porção de bebida. 
- Hum... Vida “secreta promíscua”! Até eu fiquei curiosa 
agora.    – ria Vera surpresa com a audácia da resposta da 
amiga. 
- Morrerão de curiosidade meus caros, a intenção é realmente 
passar a imagem de boa moça, e vejo que tenho tido ótimos 
resultados. 
- Você é cruel hein Charlyni! Tenho pena de seu futuro 
esposo, se é que haverá apenas um... Promíscua!    – riu 
também Anderson se rendendo à resposta rápida da jovem. 
Vera se levantou para ir ao toalete, Anderson estava próximo 
de Charlyni então, ela não resistiu e se aproximou do amigo. 
- Se eu lhe pedisse um favor, você me faria? 
- Uau! Essa história de promiscuidade era verdade?! 
- Não seja ridículo, estou falando sério Anderson! 
- Eu também. 
- Me ouça, eu sei que seu pai está tratando de um conhecido 
meu, e eu gostaria de fazer uma visita a ele. 
- Tranquilo, peço ao meu pai, e você vai ao hospital em 
horário de visita. 
- Não! É isso que eu preciso que me ajude, não pode ser em 
horário de visita.  
- Por que não?! O que quer fazer com o seu amiguinho?   - 
maliciosamente riu franzindo o semblante. 
- Anderson, por favor, é sério! Também preciso que consiga 
um estágio pra mim lá. 
- E por que não pede isso diretamente ao meu pai? 
- Por que eu já estudei sobre estágios no setor de psiquiatria, e há uma única vaga a partir do terceiro ano de Medicina, sem vínculo. Como se fosse assistida, e é obvio que seu pai vai ceder à Vera, ela já me disse do interesse. Anderson analisou seriamente agora, coçou o queixo e repensando respondeu: 
- Não sei o que dizer Charlyni, é difícil dizer alguma coisa, é 
minha namorada, e ela também deseja Psiquiatria como você. Por que eu tiraria a vaga dela e entregaria a você?  
  Charlyni não soube responder, então se voltando para ele, 
apenas disse menos entusiasmada: 
- Você tem razão; não haveria o porquê, desculpe-me.  
- Seu pai tem uma clínica particular psiquiátrica Charlyni, e   
que possui mais de cem pacientes! Acha que ele não reservou um estágio completo só para você lá dentro? Fique tranquila, e quanto ao que disse, prometo não comentar com a Vera, por que ela poderia não entender. Para ser sincero, nem eu entendi, mas deve ser por um bom motivo. Quanto à visitinha secreta, depois vejo essa possibilidade com mais carinho.    – amenizou a voz, pois a namorada e mais duas jovens retornavam do toalete.   

Maio, segundo domingo daquele mês... O vento já não tão quente avançava trazendo a cara nova do outono, Charlyni amava o inverno. Roberto mesmo com seu casaco, não perdia a oportunidade de ler seu jornal diário em frente à piscina aos domingos. 

A filha exausta por ter estudado toda a noite biofísica, estava com o semblante deteriorado pelo cansaço, então, antes de dormir finalmente, foi até ele para dar-lhe bom dia. 
- Como vão as matérias minha filha? 
- Legais, acho difícil Bioquímica, mas o restante está 
tranquilo. Adorando Biofísica, não havia me dito que era tão 
emocionante Medicina, me escondeu o ouro hein... 
- Mas você, mesmo assim o descobriu não é? Anda abatida, 
procure montar uma agenda de estudos, desse jeito vai acabar ficando doente. 
- Eu tenho que me acostumar afinal eu terei plantões não 
terei? 
- Sim, terá e muitos. 
- Pai, tire-me uma dúvida, se eu quiser ficar na sua clínica 
psiquiátrica eu posso desde já? 
- “Nossa clínica”, nada de minha, é nossa! E será sua um dia. 
Claro, pode visita-la quando quiser, fazer estudos de caso, 
mas acho cedo demais pra isso. Está no segundo ano filha! 
Engatinhando, há muito que aprender ainda. Uma coisa de 
cada vez, com o tempo aquilo tudo será seu, se quiser dormir 
lá está ao seu dispor. Mas não acho que seja interessante 
misturar as coisas no momento, tenha paciência sim?  
- Mas se eu quiser, como faço para ir até lá entrar quando 
não estiver junto à mim? 
- Eu sempre estou por perto, ou irá lá pela madrugada?! 
Sossegue Charlyni vá dormir, deve estar delirando pelo sono. 
Neurônios enfraquecidos solicitando descanso. Vá!  - riu 
Roberto empurrando-a de perto dele, e ela cedendo ao cansaço realmente saiu dali, e se dirigiu até seu quarto. No consultório de Adolfo Ness, um telefonema inesperado, um homem do outro lado da linha solicitava uma consulta de 
emergência. 
- Eu não tenho cliente amanhã, hoje não poderei atendê-lo, e 
antes de qualquer procedimento preciso de uma entrevista. 
 Do outro lado, o matemático Rogério Muller prosseguia com seus questionamentos: 
- Creio que o senhor não me compreendeu, eu não estou em 
busca de uma terapia ou algo do tipo, apenas gostaria entender melhor, como uma conversa informal, apenas isso. 
- Sim, a maioria inicia minhas terapias desta forma, terminarei provavelmente minha sessão de hoje às três horas da tarde, se puder estar aqui após as cinco horas, poderemos conversar. O que acha? 
- Combinado, estarei neste horário em seu consultório.  – 
desligou pensativo, todo aquele evento dos últimos anos o 
deixavam intrigado, temeroso por Euller. Desejava entender, 
ajudar, tirá-lo daquele inferno, trazer seu amigo de volta de 
alguma forma. Nada melhor que iniciar pelo homem que 
Kutner confiava tanto seus segredos e mistérios, Dr. Adolfo 
Ness. Na sala silenciosa, numa maca simples onde o corpo do paciente Kutner se mantinha após mais três crises de violência repentina, atado pelas mãos, braços, tronco, sem impedir a área do tórax onde se liberava respiração, e cabeça; se encontrava há dias. 




Quando seus olhos reabriam pouco assim permaneciam, pois logo lhe vinha um clarão súbito qual lhe levava a uma tranquila paz imersa de forma artificial, mas o mantinha assim. No entanto, os dias de calmaria eram limitados, e logo um lamaçal de imagens e emaranhados de lembranças estilhaçadas era lançado contra seus pensamentos, arrebatando-o da paz, para a mesma turbulência de sempre! Fora assim naquela tarde, enquanto Ness aguardava a chegada do matemático Rogério em seu consultório. Nas profundezas da mente insana de Euller, algo retorcia nas conchas de seus ouvidos carnais, e também nas visualizadas espiritualmente pelas visões, que após muitos dias, já não mais tinha daquela praia e quietude do mar. O mesmo som repetido das ondas, o mesmo chamar de uma flauta distante, o mesmo desejo gerado no peito a disparar de repente, e nenhum medo agora presente, apenas anseio. 
Corria, contra um vento quente no rosto, o som da flauta mais intensa tornava, viu-se na praia que aquele homem que o guiara e levara, ao ver a casa distante vazia, gritou pelo nome da menina caiçara. Não ouve resposta, apenas melodia...Correu ainda mais até a porta da casa alcançar, e quando seus olhos por si avistaram o interior daquele lugar, um terror  tomou sua alma. 




Não havia chão, e sim um mar de sangue sendo sugado para um centro escurecido, como se lá houvesse, um profundo funesto de algo que lhe remetia medo, e tudo o que ali havia era por ele, tragado! Estático, ouvindo aquele som tão tranquilo da flauta, era contrastante ver aquele oceano carmesim a sugar tudo ali para seu interior obscuro. Foi então que instintivamente tomou uma porção daquele sangue, e uma dor tomou sua alma, era como nele ver a de sua amada dissipada ali. Subitamente sentiu uma mão a tocar seu ombro, levando-o a um  novo sentimento, o de revolta, estremecer-lhe numa onda de ódio e ira. 
O mesmo que sentira quando observara a casa pela última vez, voltou-se para trás já possuído de grande cólera, e pode ver o rosto perfeitamente do empresário de Peruíbe, “Jean Machado”, dono do estabelecimento Imobiliário onde estiveram anos atrás. Reabriu os olhos repentinamente ainda estáticos, sem um movimento sequer, vendo-se com um único enfermeiro ao seu lado, administrando algum medicamento dos tantos que lhe eram administrados, e nada foi dito, nada ocorreu. Apenas silêncio do olhar petrificado no teto e a lembrança petrificada na alma![...]




Escritora Tereza Reche

domingo, 30 de agosto de 2015


PLATONISMO

Segundo o Dicionário; O termo Platonismo significa:

  1. 1.
    fil doutrina do filósofo grego Platão (428 a.C.-348 ou 347 a.C.) e de seus seguidores, caracterizada esp. pela concepção de que as ideias eternas e transcendentes originam todos os objetos da realidade material, e que a contemplação dos seres suprassensíveis determina parâmetros definitivos para a excelência no comportamento moral e na organização política.
  2. 2.
    p.ext. fil qualidade do amor platônico; castidade, idealidade [Segundo Platão, o amor mundano e carnal pode se tornar, por meio da ascese filosófica, uma afeição contemplativa por realidades suprassensíveis.


Após me deparar com essa descrição, resolvi escrever um pouco a respeito. Encontrei esse pequeno resumo sobre o nascimento, segundo a Mitologia Grega do primeiro amor não correspondido. Afinal, não apenas finais felizes são belos, também há os infelizes que por vezes, tornam-se eternizados.


"Segundo a lenda, Apolo era o deus mais belo, senhor das artes, da música e da medicina. Após derrotar Píton, vangloriando-se de seu enorme feito, fez pouco de Cupido, o deus do amor, dizendo-lhe que suas flechas eram muito mais poderosas do que as do pequeno Deus. Cupido respondeu que as flechas de Apolo eram poderosas porque podiam ferir a todos, mas as dele, Cupido, podiam ferir ao próprio Apolo. Cupido, então, lançou uma flecha de ouro na ponta, no coração de Apolo, provocando neste uma paixão desenfreada por Dafne, uma bonita Ninfa, filha do rio-deus Peneu. Em Dafne, Cupido lançou uma flecha com chumbo na ponta, suscitando uma repulsa por Apolo. Apolo passou a perseguir a amada, enquanto essa fugia dele em um profundo sentimento de rejeição. Dafne, não suportando a perseguição e a repulsa que sentia por Apolo, pede a seu pai que a mude de forma, no que é atendida e é então transformada em uma árvore, um loureiro. A partir desse momento, Apolo passou a usar uma coroa de louros como símbolo de sua paixão não correspondida".



























Belo se não o fosse trágico... Porém, além do Platônico de fato, há também o pseudo-platonismo onde, aquele que mesmo amado, ainda assim julga-se desamado. Muitas vezes nos deparamos com amores platônicos mesmo que correspondidos. Quando partilhamos de um amor intrínseco desconexo com o verdadeiro que ocorre do lado exterior.  Amar platonicamente é não amar na mesma sintonia que o amante, é idealizar o sentimento gerado numa mentalidade tomada pela criação, pelos sonhos. O outro em contrapartida, necessariamente pode não nos rejeitar, mas sentiremo-nos assim caso este não demonstre o tamanho devaneio que sentimos. Quanto julgamos amar demasiadamente, na verdade confundimos o amor que sentimos sem interação com a realidade, solitário e mental, com amor não reconhecido, ou ainda, em maior intensidade que o recebido pelo parceiro (a). Amar é exatamente o oposto, é aceitação satisfatória frente à qualquer ação, ou falta desta do suposto amado. É passividade imensurável diante das forças externas onde se mantém, indiferente da ação do outro, funcional e continuamente amando-o. 






Escritora Tereza Reche