sexta-feira, 18 de dezembro de 2015


Entrevista cedida à blogueira literária Ceiça de Carvalho, autora do site "ARCA LITERÁRIA"
10 de Dezembro de 2015








                                                                                                                   
Ceiça Carvalho
Blogueira e Autora do Site ARCA LITERÁRIA 



Tereza Reche, fale-nos um pouco sobre você.

Dei início a minha vida literária aos 8 anos, escrevia desde histórias em quadrinhos até finalmente aos 12 anos concluir meu primeiro romance histórico.

Entre o ano de 1988 e 2000, escrevi três romances e uma antologia, ingressei na Facu
ldade de Biomedicina em 2001, e a partir de então após formação na área profissional, trabalhei em laboratórios clínicos e hospitais, até finalmente em 2008 ingressar na docência de Ensino Superior.

Na Faculdade Anhanguera atuei como Coordenadora do curso de Biomedicina entre 2009 a 2011, onde implantei projetos e um Laboratório Escola que hoje recebe os alunos estagiários do curso de Biomedicina.

Publico em 2012 a trilogia histórica intitulada ARMADILHAS DE UM TEMPO, em 2013 o romance místico O SILÊNCIO DE EULLER, em 2015 o romance histórico DITADURA DE CORAÇÕES. Todos pela Editora PerSe de maneira virtual.

O que você fazia/faz além de escrever? De onde veio a inspiração para a escrita?

Biomédica por profissão, respondo em Laboratórios de Análises Clínicas. Já atuei na docência de ensino superior e médio nas áreas biomédicas e exatas, atualmente atuo na área da saúde.
Qual a melhor coisa em escrever?

O momento da pesquisa, do mergulhar em novos conhecimentos e descobertas. Quando investigamos a história, a geografia ou qualquer outro instrumento necessário para dar continuidade a nossa criação, estamos abrindo um fractal de conhecimento único desse cenário só nosso.

Você tem um cantinho especial para escrever?

Meu quarto sem dúvida é sagrado, ali eu me inspiro, eu vivo, eu reflito e gero todos meus personagens e livros. Não me lembro de tê-los escrito fora de onde adormeço e desperto.
Qual seu gênero literário? Já tentou passear em outros gêneros?

Sempre foquei no romance histórico, ARMADILHAS DE UM TEMPO foi minha melhor obra. Uma trilogia de aproximadamente 2000 páginas que aborda questões político religiosas do século XVI. Sim, tentei o gênero contemporâneo no romance espírita O SILÊNCIO DE EULLER, dentre outros.
Fale-nos um pouco sobre seu(s) livro(s). Onde encontra inspiração para título e nomes dos personagens?

ARMADILHAS DE UM TEMPO: É um romance histórico, então permeia fatos verídicos enquanto mescla fatos fictícios. Há muitos personagens reais como Calvino, João Knox, Miguel de Servet dentre outros, como os que criei como Esteban Delmar e Catalina Laguna. A trilogia conta desde as primeiras décadas da Reforma Protestante em 1536 até 1598 no grande Édito de Nantes na França. Muita guerra, muita intriga, inquisição, santo ofício e huguenotes, são os temas principais do livro que gira em torno do líder huguenote Esteban e da ex noviça Catalina.

O SILÊNCIO DE EULLER: É um romance espírita, conta a história de um físico bem-sucedido e cético chamado Euller, que carrega um fantasma consigo desde os 15 anos. Uma bela garota lhe aparece sempre em sonho, banhada em sangue. Com o decorrer da trama, ele descobre que é a reencarnação de um rapaz chamado Daniel, ele e Dnajara, a garota de seus sonhos, haviam vivido um evento na década de sessenta que teria que ser resolvido. O romance alterna as duas encarnações nas 100 primeiras páginas.

DITADURA DE CORAÇÕES: Romance escrito para um concurso, portanto o único com menos de 500 páginas. Aborda a Revolução Constitucionalista através do romance avassalador entre o jornalista republicano Felipe Russo e a filha de um Tenente Coronel. Eles lutam arduamente em tempos de guerra para ficarem juntos, mas nada será tão fácil como eles imaginavam.

Sobre a inspiração…. É algo bem transcendental. Mágico. As ideias fluem de lados contínuos e quando percebo escrevi 70 páginas!
Qual tipo de pesquisa você faz para criar o “universo” do livro?

Quando estou inserida na história já há algum tempo, imersa mesmo, então a pesquisa parece fazer parte dessa imersão, está lá, pronta para ser usada de instrumento para dar continuidade. Então é feito buscas de artigos, livros se necessário, no caso de ARMADILHAS até a Torre do Tombo entive o cuidado de entrar em contato por e-mail, houve retorno, para trazer veracidade à história. Pesquisei anos por exemplo para escrever essa trilogia.
Você se inspira em algum autor ou livros para escrever?

Gosto da escrita minuciosa de Fiódor Dostoiévski, suspiro lendo os livros dele por sentir o que ele escreve. Seja o que for. É isso que pretendo atingir um dia, escrever de tal forma, que possam sentir a emoção naquele pequeno fragmento escrito.
Você já teve dificuldade em publicar algum livro? 

Sim.
O que você acha do novo cenário da literatura nacional?

Extremamente competitivo, crescendo exponencialmente em relação a quantidade de autores. Porém, quando se fala em conteúdo, ou ainda, em gênero literário o que se vê na verdade é o contrário. Se estratificarmos desde os gêneros que mais vendem, até os que sequer saem da livraria, veremos que o que temos hoje é um aumento sim literário em relação ao passado, porém, por produção. Não é algo feito de forma lapidada, original, são sim histórias muito boas, entretanto um novo modelo de literatura, não a que conhecemos, algo criado nos dias de hoje. Interessante, digno de apreciação e até admiração, mas não confundamos literatura deste século permeada de “inspirações muleta” onde se inspira na história do outro para escrever a sua, com a inspiração de essência, onde essa é tão somente advinda do seu autor. Acredito que trazemos muitos traços de nossos ídolos literatas, mas isso de longe significa o que se vê hoje na maioria das vezes.
Recentemente surgiram várias pessoas lançando livros nacionais, uns são muito bons, outros nem tanto, outros são até desesperadores, o que você acha sobre este boom?

Concluindo o raciocínio acima, é exatamente o que eu citei, há uma facilidade muito grande em publicar virtualmente hoje devido à internet. Como as Editoras, não todas claro, mas algumas, não se importam com a reputação do escritor, não o acolhem revisando seus textos dando-lhe auxilio. Simplesmente o deixam livres na plataforma, o que ocorre é que centenas de novos autores surgem por dia nessas plataformas, esses livros ficam totalmente perdidos lá pois geralmente pesquisamos no máximo algumas páginas. Ou seja, livros excelentes perdidos talvez, e livros péssimos nas primeiras páginas? Isso denigre a imagem da Literatura, por isso tenho comigo a teoria de que, a literatura que temos hoje, é um modelo totalmente individual e distinto da que carrega os grandes nomes da Literatura que conhecemos. Tanto pelos valores, quanto pela atenção que se dispõe a ela.

Qual sua opinião sobre os preços elevados dos livros nacionais?

É uma questão complicada, sobretudo muito relativa. O preço geralmente tem um histórico justificável desde a revisão, diagramação, arte, capa, impressão, número de páginas dentre muitos detalhes. E dentro de todo esse cenário mesmo variando entre um romance como o meu de 866 páginas e outro de 250 páginas, a editora não poderá distanciar tanto os valores para não assustar o leitor. Mesmo sendo nacional, mesmo sendo produzido aqui, não existe milagre. Escrever sai caro, ser escritor é caro!
Qual livro você falaria: “queria ter tido esta ideia”?

Tristão e Isolda. É um romance celta do século XII que desde a primeira vez que eu li, já o li várias vezes e já pensei nisso sim.
Se tivesse que escolher uma trilha sonora para seus livros qual seria? (nome da musica + cantor)

ARMADILHAS DE UM TEMPO: Álbum completo – Deuter

O SILÊNCIO DE EULLER : Haja o que Houver – Madreus

DITADURA DE CORAÇÕES: Anywhere – Evanescense

Já leu algum livro que tenha considerado “o livro de sua vida”?

O Idiota – Dostoiévski

Você tem novos projetos em mente? Se sim, pode falar sobre eles?

Sim, alguns livros em andamento:

O CÁTARO – romance histórico

DELÍRIOS DE CASSANDRA – drama

CALENDÁRIO DA VIDA – romance

OS FILHOS DE BONACCI – suspense policial

MÓRBIDA SENTENÇA – (roteiro) suspense policial

PÁCTOS CÓSMICOS – ufos/ficção/romance

LIMPE MEU SANGUE- romance

INÚMERAS PALAVRAS II – ensaio poético

Você acompanha as críticas feitas por blogueiros nas redes sociais? O que você acha sobre isso?

Sim! Arduamente. Acho maravilhoso, leio resenhas, vejo o interesse dos leitores e respeito o leitor de uma forma quase sagrada! Então acompanho sim, e acho de extrema importância que se tenha muita integridade antes de decidir discorrer algum texto ao público. Por que quando você lê um blogueiro citando seu livro, o que achou dele ou criticando-o, você vê ali certa despretensão. Isso é confiável e necessário para o aprimoramento do escritor, é o termômetro para o aperfeiçoamento contínuo.

Se pudesse escolher um leitor para seu livro (escritor, alguém que admire) quem seria?

A escritora e poetisa Adélia Prado.
Qual a maior alegria para um escritor?

Escrever. Nada mais.
Deixe uma mensagem a nossos leitores e para aqueles que estejam iniciando no mundo da literatura.

Aos leitores, minha admiração, meu respeito e, sobretudo, minha inspiração e vidas em forma de personagens, cenários de guerras, romances, intrigas, medo e beleza. Aos que iniciam, entreguem sua vida à escrita de tal forma que não mais vivam sem ela. Só assim, saberão se realmente são escritores.



Escritora Tereza Reche 





DELÍRIOS DE CASSANDRA

"... Eram 16:00hs, acordara há menos de três horas... Estava exausta, a mente pesava. O sono veio pouco depois e pensou: - Já é tarde, logo anoitece, prefiro anoitecer-me primeiro!. - e novamente fechou as cortinas que foram abertas há tão pouco tempo..."
Pois não havendo sabor no cotidiano, Cassandra o buscava debaixo da colcha, do escuro do quarto e no silêncio do sono.


quinta-feira, 17 de dezembro de 2015



TURBIDEZ 


Tudo embaçado.
Visão dos olhos.
Visão da alma.
Visão do entendimento.
Visão do racional.

Quem se importa?
Ninguém...
Não pense que sua dor alcançará alguém.
Pois não irá alcançar.
Menos ainda seu alvo de desejo.
Este? Menos ainda.
Dói este saber? 
Cure-se!
Esta é a dor da qual ninguém se desvia.
Karma de todos, de todo aquele que ama, porém não tem o amor correspondido.

Fato cortante e amargo.
Fato!
Apenas e nada mais que fato.
Aceite-o.
Engula-o como se faz diante os remédios que nos saram.
Que esta realidade maldita e macabra nos destrua de uma vez as entranhas, e delas nasçam algo mais forte. 
Mais resistente frente a tão fatídico infortúnio chamado de Amor... 




























Escritora Tereza Reche 


segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

PRÊMIO CARLOS CHAGAS - 2016





Em Maio de 2016, na cidade de Itabira, como ocorre todos os anos, os profissionais escolhidos através de indicação de uma banca de outros profissionais também previamente indicados e com histórico de premiações anteriores, receberão conforme sua profissão, uma homenagem por seu destaque e atuação. Comumente, através de pesquisas e indicações de valores ligados ao mundo literário, empresarial, político, jornalístico não deixando de lado as redes sociais, onde cada perfil a ser selecionado, minuciosamente assistido durante um longo prazo, tais personalidades da literatura/medicina dentre outros, são analisados e somente após aprovação unânime dos indicadores, são tidos como potenciais convidados. São os focos do Evento anualmente ocorrido na cidade do escritor Carlos Drummond Andrade:





Destaques do Ano

Cecília Meireles (Mulheres Notáveis - Literatura)

Pedro Aleixo (Personalidades Notáveis)

Carlos Chagas (Medicina - Profissionais da Saúde)

Jovens de Sucesso

Elegantes do Ano.


Troféu Carlos Chagas e Pedro Aleixo

Troféu Carlos Drummond Andrade

Troféu Cecília Meireles



TROFÉU CECÍLIA MEIRELES - ABRIL 2015

Recentemente recebi o Troféu Cecília Meireles - 2015 em Abril (Literatura), e em Outubro, o Troféu Carlos Drummond Andrade Edição Ouro - 2015. No último dia 03 de Dezembro, recebi o maravilhoso convite para ser homenageada com o Troféu Carlos Chagas - 2016 pela atuação como Biomédica pela qual sou formada. É com muita gratidão e alegria que preparei essa matéria especialmente dedicada a esse evento e aos seus realizadores. 

Ao centro, Eustáquio Lúcio Félix e sua esposa Sônia Félix 
(realizadores do Evento anual ocorrido na cidade de Itabira - MG)












CARLOS CHAGAS - Breve Biografia

Nada mais justo que falar sobre o nobre doutor Carlos Chagas, nascido em 1879-1934, foi médico, cientista, pesquisador e sanitarista brasileiro. Dedicou-se ao estudo das doenças tropicais. Descobriu o protozoário do gênero Plasmodium, causador da Malária. Descobriu também o parasita Tripanosoma Cruzi, transmissor da doença de Chagas. Em 1901 a Malária atacou vários trabalhadores na construção da represa na região de Santos, em São Paulo, chegando a parar a obra. Carlos Chagas foi recrutado para combater e evitar a propagação da doença, com medidas sistemáticas de saneamento, logo debelou a doença. Atualmente a Malária predomina na Região da Amazônia-Legal. Ainda não existe vacina contra a doença. Em 1907 teve início a pesquisa sobre a doença de Chagas e só em 22 de abril de 1909 o sanitarista Osvaldo Cruz anunciava à Associação Nacional de Medicina a descoberta por Carlos Chagas da doença de Chagas. Transmitida pelas fezes do inseto hospedeiro, conhecido por barbeiro, por atacar principalmente o rosto das pessoas. O barbeiro vive principalmente nas frestas das casas de barro, na zona rural e tem hábitos noturnos. A picada na pele coça e as fezes do inseto penetra no organismo, causando a doença. Carlos Chagas (1879-1934) nasceu em Oliveira, Minas Gerais no dia 9 de Julho de 1879, era filho do cafeicultor José Justino Chagas e Mariana Cândida Ribeiro de Castro. Carlos Ribeiro Justino Chagas, seu nome da batismo, ficou órfão de pai quando tinha quatro anos de idade. Estudou no Colégio São Luís, em Itu no interior de São Paulo. Carlos Chagas ingressou na Faculdade de Medicina no Rio de Janeiro, com 18 anos. Em 1902, já formado iniciou sua tese "O ciclo evolutivo da Malária na corrente sanguínea", concluída em 1903. Dedicou-se ao estudo das doenças tropicais, principalmente da Malária. Em 1904 instalou seu laboratório particular no Rio de Janeiro. Por indicação do professor Miguel Couto, passa a trabalhar, com orientação de Osvaldo Cruz, no Instituto Soroterápico Federal, hoje Instituto Osvaldo Cruz. Carlos Chagas, em 1906, trabalhando no Instituto Osvaldo Cruz, obteve sucesso ao dirigir a campanha de saneamento da Baixada Fluminense, debelando a infestação da Malária. Em 1907 trabalhou num laboratório montado durante as obras da linha de trem da Estrada de Ferro Central do Brasil. Durante dois anos classificou, estudou e identificou no sangue de animais, o protozoário que denominou Tripanosoma Cruzi, aliado a uma infestação de um inseto nas residências rurais, conhecido como barbeiro. Carlos Chagas examinou esses insetos e descobriu que eles eram os hospedeiros da doença de Chagas. Carlos Chagas foi chamado pelo Presidente Wenceslau Braz para controlar a epidemia que assolou o Rio de Janeiro em 1918. Além da falta de assistência médica, precárias condições de higiene e a falta de saneamento, a gripe espanhola contaminou dois terços da população e fez onze mil vítimas. Carlos Chagas instalou vários postos de atendimento médico, e no Instituto Osvaldo Cruz incentivou a pesquisa da doença e com medidas preventivas a infecção foi debelada no mesmo ano. Carlos Chagas foi reconhecido por suas pesquisas e descobertas, recebendo prêmios e homenagens de vários países, entre eles, Alemanha, França, Portugal, Espanha, Itália, Inglaterra e Estados Unidos. Carlos Chaga morre no dia 8 de novembro, no Rio de Janeiro, acometido por um infarto.

O evento ocorrerá aos 21 de Maio de 2016 na cidade de Itabira em Minas Gerais. 



ALGUNS DOS HOMENAGEADOS DO ANO DE 2016


Eustáquio Félix e esposa Sônia Félix 
Organizadores dos Eventos anuais realizados
na cidade de Itabira.

http://www.eustaquiofelixcerimonial.com.br/pg_fixa.php?id_cat=61&&id=22



Biomédica/Escritora Tereza Reche


















domingo, 29 de novembro de 2015


  
EXPECTATIVA & REALIDADE






Diante da tela pálida e faminta de palavras, permaneci por algum tempo, decidi que desta vez escreveria algo como um tipo de auto-ajuda, esses discursos repletos de placas indicando o caminho à seguir, indicadores cheios de si ocultos num tom de alegria contagiante. Hipocrisia vestida de boa moça, recebida pela maioria de braços abertos, olhos marasmáticos e mentes zumbis, dizendo que tudo vai bem enquanto nada vai, assim servindo de alucinógeno momentâneo e levando-os para uma realidade paralela, cada qual onde deseja estar. Preferi então falar daquilo que é verdade, a verdade que dói demais e ninguém quer ler, pois sofrer não é bom, não dá prazer e é fardo para todos nós. É fato que seja mais leve e doce ver estrelas que escuridão infinita e um futuro oposto ao marasmo de hoje. Pensar que se dissermos dez vezes ao dia "vou ficar bilionário", um dia por força dessa afirmativa ficaremos. Que a tristeza não é maior do que podemos suportar e que se olharmos para uma bela flor, tudo simplesmente dissipará como num passe de mágica. Todavia, se nada disso ocorrer, ainda assim, temos por onde recorrer, teimosos afirmamos que não foi desta vez, mas ainda haverá de ser numa próxima vida... Agimos assim pois é difícil demais aceitar o antônimo de tudo isso... Exaurimo-nos voltar o olhar à realidade densa onde para tudo há consequentes, preços e muitas vezes alguns não estão dispostos a pagá-los, o que significará danos e dores aos que não devem nada. Uma realidade onde a melodia nem sempre é aquela que se deseja ouvir, e a paz não está tão perto quanto dizem estar. Onde o amor é discutível sim, negociável e às vezes, até mesmo descartável. Onde para alguns, palavras são apenas isso, nada mais... E para os que nelas confiarem, tenebroso fim lhes reserva o destino. Uma realidade repleta de cores, que nem sempre serão cinza ou das cores que escolhermos, porém, das que ela pinta. Onde haverá muitos beneficiados e nem todos serão maus, alguns serão bons e melhores que nós, mais dignos e muito merecedores do que possuem. Que perderemos para grandes e seremos pequenos diante de muitos, mesmo nos esforçando e nos vendo grandes o bastante para derrubar à todos. Onde perdas não serão conquistadas, outras sim... Inocentes serão injustiçados e culpados serão vitoriosos. Dentre estes, muitos culpados se tornarão melhores que suas vítimas e elas não os perdoarão tornando-se vis, se comparadas ao seu algoz. Haverá dores, muitas dores, perdas, ganhos e nem sempre alguns pedidos serão realizados. Isso não significa que somos maus, que Deus não exista ou que o céu está contra nós. Apenas que "ainda" estamos por aqui, que desgraças e lágrimas não deixarão de existir simplesmente por uma porção da existência negá-las, isso é fato. Mas que mesmo tendo essa cruel e dilacerante realidade estilhaçada diante dos olhos, ainda assim, possamos ao invés de cerrar o olhar racional, abri-lo e com isso respeitar as dores que nos cercam não desprezando-as, como se a esquizofrenia do alienado fosse o fato e o fato fosse esquizofrenia. 

Escritora Tereza Reche