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quarta-feira, 2 de março de 2016



LEANDRO KARNAL






- ENTREVISTA DO SITE SETOR VIP - 
   LEANDRO KARNAL 

Leandro Karnal é historiador e filósofo, um dos maiores e mais admirados em minha opinião. Segue abaixo uma entrevista desta grande personalidade ao site Setor Vip. Eloquente. Elegante. Exímio. Um dos intelectuais mais respeitados do Brasil, Leandro Karnalacaba de lançar o livro “Pecar e Perdoar – Deus e o Homem na História”. Quem o acompanha nas edições do Café Filosófico encontra no livro a mesma exuberância de sua oratória. Ouve-se sua voz. Ele faz arte ao falar em público e conduz na trajetória do raciocínio o homem comum que se questiona. Nascido em São Leopoldo, Rio Grande do Sul, Karnal atua como professor na UNICAMP, especialista em História da América, assunto sobre o qual discorreu no livro “Estados Unidos: a Formação da Nação”. O historiador ainda assina os títulos “Conversas com um Jovem Professor” e “História na Sala de Aula”. Neste novo livro, Karnal apresenta aforismos interessantíssimos sobre vícios e virtudes, assumindo o papel delicioso – maneira a la Tolstoi – de provocar os dois grandes personagens da história do mundo: Deus e o diabo. Seus argumentos colocam os dois no tribunal e deixam para o leitor o veredito. Do lado do diabo: “A história dos corações humanos mostrou que Lúcifer era o verdadeiro visionário. Lúcifer é o “pai da mentira”, mas, convenhamos meu devoto leitor, isso pode ser propaganda da concorrência.”Ou como advogado de Deus: “A maior injustiça que Deus sofre no mundo contemporâneo é esta: ficar congelado no passado e ser acusado de não responder mais à angústia do adulto.”Voltando para o homem, o intelectual provoca: “O ponto de virtude onde me coloco é a tranquilidade do fariseu que cumpriu o jejum correto e segue a norma do descanso do sábado, pagou o dízimo das mínimas coisas e só se esqueceu de um detalhe: amar. O furor de quem julga e legisla é o medo de ser igual.” Com o Setor VIP, Leandro Karnal dialoga sobre algumas questões efervescentes de nossa humanidade. Imperdível!


ENTREVISTA

Setor VIP
É mais difícil conviver com o transgressor ou com o hipócrita?

LEANDRO KARNAL
Sempre depende de quão transgressor ou hipócrita somos. Prefiro o ataque direto ao veneno destilado, o inimigo aberto ao velado, mas isto é subjetivo. O transgressor é uma espécie de herói romântico. O hipócrita é uma personagem política. Mas o hipócrita só existe porque parte de mim deseja o elogio e odeia a verdade crítica. O transgressor é meu oposto, mas o hipócrita é meu filho.

Setor VIP 
Somos muito melhor fingindo ser politicamente corretos do que buscando ser verdadeiramente politicamente corretos?

LEANDRO KARNAL
Ser politicamente correto é desejar não machucar, não agredir e levar em conta a diversidade. Hoje é obrigatório ser politicamente correto. Então, ficamos mais estratégicos do que convencidos. Julgar e afastar e ser politicamente correto por obrigação é dizer que tenho, além de preconceito, medo.

Setor VIP
Uma mulher pode ser sinceramente devota a Deus e viver o sexo em toda a sua plenitude e profundidade?

LEANDRO KARNAL
Obviamente que sim, mas cada época leu a sexualidade feminina de um jeito. O principal problema é que as normas sobre sexo e virtude das mulheres são feitas por homens, legisladores e juízes, e padres, solteiros e homens. Logo, o problema principal não é saber do sexo ou dos seus limites e glórias, mas saber das mulheres.

Setor VIP
Porque a beleza é tão temida?

LEANDRO KARNAL
A beleza é, para Rilke, o grau do terrível que desdenha nos destruir. Assim, é o caráter sedutor, libertador e aterrador da beleza que nos destrói.


Setor VIP
Qual é a luta mais inglória das feministas?

LEANDRO KARNAL
Há muitos tipos de feministas e em muitas fases. De Flora Tristán a Simone de Beauvoir e as atuais. O feminismo é filho do seu tempo e sua consciência é a consciência possível. Já foi queimar sutiã, já foi imitar aos homens. O desafio feminista sempre é reinventar-se e corresponder à verdade de cada momento.

Setor VIP
Por que o diabo tem mais “autonomia e força” no Cristianismo do que no Judaísmo? Evidenciá-lo em algum momento da história foi uma decisão para manter o poder estabelecido através do medo?

LEANDRO KARNAL
Medo é um elemento importante em todo sistema de controle: escola, religião, Estado… O monoteísmo absoluto do Judaísmo transforma o demônio em auxiliar de Deus, como no livro de Jó. Os judeus acreditavam em espíritos imundos que tomavam as pessoas, mas não deram ao demônio a autonomia de um reino. O Catolicismo incorpora mais crenças rurais e pagãs. A partir do final da Idade Média e inicio da Moderna, o demônio cresce muito no Catolicismo, especialmente na Contrarreforma. É uma estratégia de controle e uma herança do maniqueísmo. O demônio é citado muito mais do catecismo de Trento do que Deus. Mas é geral o sentimento: os códigos falam mais do crime do que das pessoas virtuosas. Como diminuiu hoje a culpa na sociedade ocidental, o demônio perde força, porque Deus sempre me entende e é sempre meu amigo e sempre me perdoa. Deus foi customizado e uma figura punitiva como o demônio vive declínio no Catolicismo, mas ainda é bastante explorado nas religiões pentecostais e neopentecostais. O demônio sempre depende de vontade de controle social e de capacidade de se sentir culpado.


Setor VIP
Devemos ao diabo algum tipo de evolução?

LEANDRO KARNAL
O demônio é uma criação como Deus. Ele mostra como pensamos os sistemas sociais. Para o historiador, não existe evolução, existe apenas transformação. Não estamos melhores ou piores do que no Egito antigo ou na Idade Média. Lúcifer, por exemplo, é um líder rebelde no “Paraíso Perdido” de Milton e é um romântico simpático na obra de Blake. Lúcifer é um espelho do humano e da sua rebeldia permanente.

Setor VIP
O homem moderno não gosta da ideia de se parecer com Deus?

LEANDRO KARNAL
Na verdade, o trecho é uma crítica a um motivo corrente para se abandonar Deus: o deus infantil. Vale o mesmo para o casamento. Os casais separam, por vezes, por não saberem adaptar sua relação a novas situações, reinventar-se. Se Deus era o Papai do Céu, ele estava ao lado de Papai Noel. Este Deus deve morrer para que um deus mais adulto cresça. Este é um mau motivo para matar Deus.


Setor VIP
Madonna chocou nos anos 1980 quando mostrou os seios, o corpo nu no polêmico livro SEX (1993), entre outras cenas sempre ligadas ao sexo, mas ela era jovem. Hoje, aos 56 anos, ela fez uma foto de topless (ensaio para a revista Interview) e o que as pessoas mais comentaram é que era um absurdo porque ela não tem mais idade para isso. Aceitamos mais a luxúria quando ela está aliada à juventude? Envelhecer se tornou um problema moral?

LEANDRO KARNAL
Luxúria está associada a prazer. O prazer, hoje, pós século XIX, é permitido mais facilmente aos jovens. Faz parte da nossa ambiguidade. Somos uma sociedade onde os jovens cresceram muito e ser velho deixou de ser uma referência de sabedoria e passou a ser defeito. Senhoras de 70 anos usam saias curtas e biquíni, algo que não ocorria antes. Em parte, isto é herança do pensamento religioso: sexo é permitido ou tolerado se houver chance de reprodução. Por isto, sexualidade pós menopausa ou homoerótica são temas cheios de tabu, pois evidenciam o prazer pelo prazer, não pela reprodução. Também devemos lembrar que é muito custoso reprimir-se. Assim, quem não se reprime nos irrita, pois faz o que desejaríamos. Por fim, tem a questão da misoginia: permitimos ao homem mais velho coisas que não são permitidas às mulheres. É nossa tradição preconceituosa mais sólida. Uma mulher rica, talentosa, senhora de si, com namorados 30 anos mais jovens é um desafio enorme ao status quo falocêntrico de nosso mundo. Madonna usa homens para seu prazer e isto é atributo só permitido aos homens, que sempre usaram mulheres. O grau da reação a isto só traz à tona o grau da insatisfação sexual do leitor médio. Sem-vergonha é aquela ou aquela que faz tudo que minha vergonha não permite fazer.

Créditos



terça-feira, 1 de março de 2016





- ENTREVISTA COM AUTORES VIII -

POR TEREZA RECHE


      Ben Baruch


A oitava entrevista é com o paulistano, de origem judaica, nascido em 12 de junho de 1957, Ben Baruch. Casado, pai de três filhos e avô de cinco netos que diz completar sua alegria e vontade de viver. O escritor estudou até o terceiro ano de Direito e em 1997, chegou ao Bacharelado em Teologia em um renomado Seminário Batista. 

Segundo Ben Baruch; Desde a infância dividi minha paixão entre o futebol e a leitura. Quando criança, preferia ganhar livros, enciclopédias e dicionários ao invés de brinquedos. Peguei gosto pela escrita aos nove anos de idade, devido a forte “influência” por parte de minhas professoras na época, que exigiam que seus alunos escrevessem em torno de 300 redações durante as férias escolares. Quando adolescente, aos 14 anos, apreciava Khalil Gibran e livros de filosofia clássica, como os de Platão e Sócrates. Depois dos 20 anos, lia tantos livros que não tinha mais lugar para guardá-los em casa e passei a frequentar a biblioteca municipal. Sempre acreditei que a cultura é o único bem que nunca poderá ser roubado de seu possuidor. Sou assumidamente um defensor da importância do conhecimento na vida do homem, por isso procuro escrever textos inspiradores, voltados para o fortalecimento emocional e espiritual das pessoas, escritos esses que têm como principal objetivo semear a positividade entre os leitores e transmitir para estes a certeza de que o caminho do amor ao próximo é sempre a melhor escolha.


TEREZA RECHE

Como e quando o sr(a) iniciou sua carreira, e o que o levou a isso?


BEN BARUCH


Como disse anteriormente, o gosto pela escrita surgiu ainda na infância, quando minhas professoras do Ensino Fundamental (primário na época) faziam com que produzíssemos em torno de 300 redações nas férias do 3º e 4º anos. Depois, já adulto, comecei escrevendo em Blogs e posteriormente reuni os textos em livros que eram distribuídos gratuitamente em formato PDF. Agora, por sugestão de amigos, estou revisando-os e disponibilizando-os na forma impressa. 


TEREZA RECHE
Cite suas obras e onde encontrá-las por gentileza.

BEN BARUCH


Disponíveis para venda são: Uma História de Amor e Na Dimensão do Espírito. Os pedidos podem ser feitos através dos emails: benbaruch@hotmail.com ou reservas@benbaruchlivros,com.br ou ainda, inbox em minhas páginas no Facebook: https://www.facebook.com/benbaruchlivros/



Em fase de revisão: Universo de nós dois; Ciúme, esse mal tem cura!; Aprendendo com os erros alheios; Reencarnação – farsa ou realidade? Entre outros.




TEREZA RECHE
Você acha que a figura do “leitor” continua em segundo plano nas reflexões literárias? 

BEN BARUCH


Sou avesso aos extremos, mas infelizmente em alguns casos, parece que o desejo do lucro e da projeção do autor acabam gerando obras que deixam de lado o ser humano. Não existe o desejo de fazê-lo refletir sobre o mundo e as pessoas que o cercam, existe apenas o desejo consumista de entreter sem instruir.


TEREZA RECHE

A Literatura há alguns anos, vem tomando novo corpo, a tecnologia propiciou isso. Publicações virtuais, facilidade em se auto publicar, dentre outras vias. Ao seu ver, como escritor da atualidade, esse cenário é de fato benéfico à Literatura, ou precisamos rever nossos conceitos?



BEN BARUCH

Embora prefira textos impressos, acredito que as publicações virtuais são benéficas, pois oferecem a preços convidativos obras que se impressas poderiam inviabilizar a comercialização para algumas camadas da população. Tendo-se em vista a dificuldade em se publicar um título através de uma Editora, a auto publicação é uma alternativa. O ideal seria que todos tivessem as mesmas possibilidades junto aos editores. Infelizmente, essa ainda é uma realidade muito distante. Talvez, como conversamos em outra oportunidade, a criação de uma Associação de Escritores, onde os membros contribuíssem mensalmente e a cada semestre um ou mais autores fossem sorteados para terem um título publicado com as despesas pagas pela Associação seria uma alternativa.


TEREZA RECHE

Qual o papel do escritor, em relação a disseminação e consequente transformação mental, intelectual e filosófica dos leitores como sociedade? 



BEN BARUCH

Responsabilidade! Somos formadores de opinião, por isso somos responsáveis pelos conceitos que formulamos, pelas ideias que disseminamos, pelas bandeiras que asteamos.

TEREZA RECHE

Qual a sua leitura de ficção brasileira hoje? É possível traçar vertentes e características?



BEN BARUCH
Durante praticamente duas décadas minha leitura baseou-se em textos éticos e morais religiosos, fossem eles Judaicos ou Cristãos. Recentemente fui presenteado com um exemplar do livro "Rawena" da escritora Angie Stanley, após a leitura, enviei-lhe uma mensagem agradecendo por me proporcionar uma leitura tão agradável e descompromissada. Descompromissada no tocante à leveza do texto.



TEREZA RECHE

Escrita ou Vendas? Partindo do seu ponto de vista, qual desses substantivos femininos melhor se encaixaria no cenário literário atual? E por que?



BEN BARUCH

Vendas. Obviamente, sem generalizar, editores e escritores estão mais preocupados em produzir obras que gerem retorno financeiro em detrimento daquelas que produzam mudanças sadias na sociedade e na mente do leitor, fazendo-o rever conceitos e estabelecer padrões éticos e morais de comportamento. Se o que dá retorno no momento são os "vampiros" e "zumbis", vamos massificar o leitor com esses temas. Infelizmente esse parece ser o pensamento dominante nos últimos anos.

TEREZA RECH

Qual escritor admira? E qual escrita aguça sua curiosidade literária?

BEN BARUCH
Gosto dos livros de Nicholas Sparks. Aprecio muito a sua maneira de escrever. Livros investigativos sempre me chamaram a atenção, quer sejam temas atuais ou não. Admiro a audácia e a determinação de seus autores na busca pela verdade dos fatos.


TEREZA RECHE
Como você avaliaria a literatura que se encontra no ranking dos melhores e mais vendidos? Existe obrigatoriamente que se seguir critérios para a criação literária? Justifique-se. 



BEN BARUCH
Levando-se em conta que os “melhores e mais vendidos”, via de regra estão nas mãos das grandes Editoras e ocupam espaços “privilegiados” nas Livrarias (a preços nada convidativos para os pequenos), acredito que são mais produto de marketing envolvendo seus autores do que propriamente pela qualidade dos textos. Desculpe-me se pareço extremamente crítico nesse sentido, mas é o que vemos todos os dias: os mesmos autores, as mesmas editoras, os mais vendidos nas mesmas Livrarias e aí por diante. 

Acredito que o melhor critério é o da inspiração associada à responsabilidade dos textos. Mesmo obras de ficção podem conter informações que produzam nos leitores o desejo de alterar o rumo das coisas que o cercam, de estabelecer padrões que colaborem na construção de um mundo melhor. 





TEREZA RECHE

Que problemática você destacaria na prática da difusão cultural no país? Como poderíamos resolver, senão amenizar tal situação?



BEN BARUCH

Nosso país é composto por várias etnias, poucas são as famílias consideradas nativas, a maioria ainda está na 2ª ou 3ª geração de imigrantes que aportaram por aqui na esperança de viverem em paz e alcançarem prosperidade e segurança para seus entes queridos. Essa mistura saudável torna nosso país um celeiro cultural de proporções gigantescas, mas nossos governantes não buscam valorizar essa miscigenação, ao contrário, preferem oferecer uma educação de péssima qualidade, justamente nos anos mais férteis, que englobam a fase cognitiva das crianças e a sua adolescência. Como não se pode reprovar o aluno negligente e desatento, incentivamos a falta de interesse com a aprovação oficializada. Isso gerou um problema crônico: os professores (nem todos é claro) fingem que ensinam e os alunos (a maioria) fingem que aprendem. Consequentemente, poucos são os que apreciam a leitura e a pesquisa. Para amenizar essa situação seria necessária uma total reformulação educacional em todas as esferas. O ideal seria uma total conscientização da população pela necessidade de uma educação de qualidade, mas isso, nos moldes que vemos hoje parece ser apenas um pensamento distante ou um desejo utópico.


TEREZA RECHE

Como profissional literata, ao criar um novo livro, você exerce a escrita racional ou permite que a inspiração flua de maneira livre?



BEN BARUCH

Acredito sempre no equilíbrio: Nem tanto ao mar nem tanto à terra. A inspiração nos faz flutuar num universo onde tudo é possível, por isso prefiro colocar uma "pitada" de racionalidade para manter o leitor com os pés na realidade. 


TEREZA RECHE

O que você, na pele de leitor, jamais leria?



BEN BARUCH

Plágio. Vejo obras sendo "escritas" por autores diferentes, mas ao olhar as sinopses, percebo que são cópias umas das outras, muda-se apenas os nomes dos personagens, mas começo, meio e fim são exatamente iguais. 


TEREZA RECHE

Escritor incondicionalmente o sendo por amor. Existe?



BEN BARUCH

Sim, existe. Considero-me um deles. Nem todos escrevem para enriquecer, muitos o fazem pelo simples prazer de escrever e de ver a satisfação de seus leitores. O reconhecimento pelo seu trabalho os motiva a seguir em frente, produzindo obras de qualidade. Para eles, a recompensa financeira não vem em primeiro lugar, pode ser apenas a consequência natural que coroará a sua dedicação e entrega na elaboração dos textos. 


TEREZA RECHE

Por que na sua opinião, certos gêneros, por mais interessantes que pareçam ser, não vendem no mercado atual literário?



BEN BARUCH

Talvez porque falem mais de perto à realidade e grande parte dos leitores não está interessada nela. Preferem aquelas que apenas os distraia, os faça distanciarem-se dela. Querem apenas entretenimento e não informação. 


TEREZA RECHE

Cultura e Intelectualidade caminham de mãos dadas, entretanto não são homogêneas... Afinal, a sociedade está mais intelectualizada ou apenas mais “antenada”?



BEN BARUCH

Certamente mais "antenada". Com a globalização e as facilidades da Internet as pessoas acabam tendo um conhecimento fragmentado de quase tudo. Conhecem o macro, mas poucos têm condições de estabelecer um diálogo sobre o micro, sobre os detalhes. Vivemos em meio à geração do "cola-copia". Um dia depois de feita uma pesquisa, o "pesquisador" não consegue simplesmente explicar sobre o que "pesquisou". Lamentável, mas real!


TEREZA RECHE

Em que está trabalhando atualmente (livros)?



BEN BARUCH

No livro "Universo de nós dois". Este romance inicia-se no final do século XIX com repercussões nos dias atuais. Ele complementa o romance poético "Uma História de Amor". Narra a origem do amor entre Felipe e Camila e todas as consequências que este amor gerou em meio a uma França preconceituosa e antisemita.


TEREZA RECHE

De suas obras, qual sente maior apreço e qual sua sinopse resumida?



BEN BARUCH

Gostaria de citar duas porque representam fases distintas. 



"Uma História de Amor" – conta a história de amor entre Felipe e Camila. Foi meu primeiro romance, meu primeiro livro de cunho não espiritualista. Escrito em forma de poesias, contém um texto introdutório antes de cada poema fazendo com que o leitor entenda como Felipe se sentia e os motivos o levaram a escrevê-lo para Camila, aquela que ele considera sua alma gêmea. Narra a história de um homem apaixonado que reencontra um grande amor que ele julgava perdido no tempo e no espaço físico. Conta em ordem cronológica os acontecimentos que se seguiram e de como se entregaram de corpo e alma na tentativa de recuperarem o tempo em que ficaram separados. 

"Na Dimensão do Espírito" – Durante anos administrei blogs que obtiveram sucesso junto a diversos grupos, fossem eles religiosos ou não. Talvez por este motivo eu tenha preferido revisá-lo e publicá-lo em primeiro lugar. Na Dimensão do Espírito contém algumas das reflexões postadas nestes espaços. Trata-se de um livro espiritualista que tem por objetivo integrar Corpo, Alma e Espírito na construção de um mundo melhor. Divide-se em três partes: Conhecendo-se a si mesmo, Conhecendo a D'us e Relacionamentos humanos. Ao saber quem somos e para que fomos criados, aprenderemos a nos relacionar com o nosso próximo sem conflitos ou julgamentos e compreenderemos que o amor é o ponto de equilíbrio e de ligação entre todos os seres criados. 


TEREZA RECHE

Quais seus planos para 2016 em relação a sua vida literária?



BEN BARUCH

Tentar organizar meu tempo disponível para escrever. Atualmente está muito reduzido em razão da minha atividade profissional. 



Publicar o livro "Universo de nós dois", revisar títulos que estavam guardados há algum tempo e disponibilizar ao menos um deles ainda este ano.


TEREZA RECHE
Deixe sua mensagem aos leitores e colegas de profissão. 


BEN BARUCH


Queridos leitores, vivemos dias difíceis, onde a verdade parece ser produto de ficção e a corrupção e a inversão de valores parecem ser os critérios que devem moldar esta e as proximas gerações, mas isso, de forma alguma deve nos impedir de dizer a verdade e de promover o amor e a cooperação entre os homens. Custe o que custar, seja alguém compromissado com a verdade, mesmo que tenha que remar contra a maré permaneça fiel à sua consciência. Um mundo melhor, mais unido, feliz e solidário começa em nós! 



Colegas, particularmente sempre preferi escrever sobre aquilo em que acredito, procurando deixar uma mensagem de otimismo e confiança em meus leitores, Não importa o gênero escolhido, o importante é saber que somos responsáveis pelo que compartilhamos com nossos leitores. Um texto bem elaborado pode transformar vidas, alterar situações adversas e resgatar a alegria e a dignidade onde muitas vezes havia apenas tristeza e desilusão. Pensemos nisso todas as vezes em que iniciarmos um novo trabalho. Boa sorte a todos. 

À você, querida amiga Tereza Reche, gostaria de agradecer por esta oportunidade e desejar-lhe todo o sucesso e o reconhecimento que você merece por seu talento e simpatia. Muito obrigado!


TEREZA RECHE
Eu quem agradeço imensamente pela sua colaboração com a Coluna. 




























Caro Ben Baruch, foi um prazer ter sua participação no Blog Por Tereza Reche.


Escritora Tereza Reche

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016




- ENTREVISTA COM AUTORES IV- 




 POR TEREZA RECHE


Cezar Carneiro 



A quarta entrevista dessa coluna será com o escritor Cezar Carneiro (Luiz Cezar Carneiro Rodrigues), nascido em 09 de outubro de 1969, é natural de Aurora-CE. É historiador e se dedica a estudos de cosmologia e metafísica. Publicou seu primeiro livro em 2008. Com 7 livros publicados, tem alguns projetos em andamento na área educacional e romances no gênero ficção científica, policial, comédia e drama. Desenvolve exposições sobre temas abordados em suas obras no estado do Ceará.


TEREZA RECHE
Como e quando o sr(a) iniciou sua carreira, e o que o levou a isso? 

CEZAR CARNEIRO
Comecei em 2008, quando publiquei HISTÓRIA DESSA E DE OUTRAS VIDAS, um livro de contos, abordando dramas do cotidiano na visão espírita (reencarnacionista), tema que me desperta interesse e sobre o qual já publiquei outros trabalhos. A inspiração foi meu pai, falecido naquele ano em decorrência de um transplante mal sucedido. Transplantes de órgãos acabou sendo o tema do meu segundo trabalho, o romance ALÉM DA VIDA E DA MORTE, publicado em 2009. 

TEREZA RECHE
Cite suas obras e onde encontrá-las por gentileza. 

CEZAR CARNEIRO
Os Parasitas - Romance - Arte Visual - 2015 

A Estação - Romance - Editora Eme - 2015 

63 Dias - Romance - Uno Editora - 2014 

O Resgate de Camilo - Romance - Editora Eme - 2012 

Adolescência - A Grande Transição - Paradidático - Arte Visual - 2011 

Além da Vida e da Morte - Romance - Arte Visual - 2009 

Histórias Dessa e de Outras Vidas - Contos - Arte Visual - 2008. 

Todos podem se adquiridos nos seguintes links: 




Preços e fretes: 



TEREZA RECHE
Você acha que a figura do “leitor” continua em segundo plano nas reflexões literárias? 

CEZAR CARNEIRO
Acredito que o público brasileiro é ainda é muito tímido (pequeno), e por isso pouco exigente. A leitura não faz parte da nossa cultura. Somos um povo que lê pouco, e por isso sabemos pouco, como prova a situação atual do país em seu contexto político, econômico e social. Está na hora de refletirmos, como autores, sobre trabalhos que possam conquistar os leitores com conteúdos para além da fantasia. 

TEREZA RECHE
A Literatura há alguns anos, vem tomando novo corpo, a tecnologia propiciou isso. Publicações virtuais, facilidade em se auto publicar, dentre outras vias. Ao seu ver, como escritor da atualidade, esse cenário é de fato benéfico à Literatura, ou precisamos rever nossos conceitos? 

CEZAR CARNEIRO
Vejo com bons olhos. Embora essa nova realidade viabilize a quantidade em detrimento da qualidade. Mas ainda entendo que dá para “garimpar” muita coisa boa de autores que, sem essas facilidades, jamais seriam reconhecidos. 

TEREZA RECHE
Qual o papel do escritor, em relação a disseminação e consequente transformação mental, intelectual e filosófica dos leitores como sociedade? 

CEZAR CARNEIRO
O escritor é um disseminador de conhecimentos. Publicar aquilo que pensa, o transforma em um agente multiplicador do conhecimento. 


TEREZA RECHE
Qual a sua leitura de ficção brasileira hoje? É possível traçar vertentes e características? 

CEZAR CARNEIRO
Leio apenas clássicos e romances espiritualistas. A ficção científica, por exemplo, é ainda muito pouco contemplada pelos autores nacionais. Eu mesmo publiquei uma em 2014 (63 DIAS, em português e em inglês), porque é um gênero com o qual me identifico, e há mercado para esse gênero. 

TEREZA RECHE
Escrita ou Vendas? Partindo do seu ponto de vista, qual desses substantivos femininos melhor se encaixaria no cenário literário atual? E por que? 

CEZAR CARNEIRO
A Escrita. O autor deve saber que os direitos autorais são irrisórios, e que só poderá viver da escrita, se conseguir grande aceitação com tiragens acima de 50 mil exemplares por título, o que é muito raro acontecer. As Vendas só beneficiam as Editora. Infelizmente. 

TEREZA RECHE
Qual escritor admira? E qual escrita aguça sua curiosidade literária? 

CEZAR CARNEIRO
Gosto de autores cuja obra se assemelhe às divulgadas pelo cinema. Assim, o romance é o tipo de leitura que me agrada, e a que mais gosto de produzir. Stephen King é o meu preferido.



TEREZA RECHE
Como você avaliaria a literatura que se encontra no ranking dos melhores e mais vendidos? Existe obrigatoriamente que se seguir critérios para a criação literária? Justifique-se. 

CEZAR CARNEIRO
Atualmente, o que conta mesmo é marketing. Livros como 50 Tons de Cinza e A Cabana, emplacaram apenas porque foram investidos milhares de dólares em campanhas publicitárias. Seus conteúdos, entretanto, não apresentam nada de extraordinário. 

TEREZA RECHE
Que problemática você destacaria na prática da difusão cultural no país? Como poderíamos resolver, senão amenizar tal situação? 

CEZAR CARNEIRO
Temos um Ministério da Cultura de faz de contas. Criaram a Lei Rouanet para estimular produções culturais que não possam se bancar, mas os recursos são aplicados em artistas famosos, cuja obra já conhecida e tem arrecadação própria para divulgação. Enquanto isso, os artistas desconhecidos não conseguem acesso a esse crédito, e assim, a cultura só perde. Para amenizar o problema, é preciso justiça na distribuição dos recursos de estímulo à cultura. 

TEREZA RECHE
Como profissional literata, ao criar um novo livro, você exerce a escrita racional ou permite que a inspiração flua de maneira livre? 

CEZAR CARNEIRO
Defino-me como um autor misto nesse aspecto. Gosto de incluir discussões relevantes em meus trabalhos. Gosto de contextualizar. Mesmo quando escrevo uma ficção, gosto de inserir debates sobre problemas atuais, geralmente polêmicos. 

TEREZA RECHE
O que você, na pele de leitor, jamais leria? 

CEZAR CARNEIRO
Livros de autoajuda. 

TEREZA RECHE
Escritor incondicionalmente o sendo por amor. Existe? 

CEZAR CARNEIRO
Existe. No seguimento espírita por exemplo, é prática comum doar os direitos para obras assistenciais, e instituições de caridade. A única exceção que tenho conhecimento, é a família Gasparetto. 

TEREZA RECHE
Por que na sua opinião, certos gêneros, por mais interessantes que pareçam ser, não vendem no mercado atual literário? Qual a estratégia, se é que existe, a ser posta em prática para que este obstáculo seja vencido? 

CEZAR CARNEIRO
Acredito que alguns gêneros têm pouca aceitação por exigirem algo que nossa educação não tem proporcionado: interpretação de texto. Assim, a poesia, por exemplo, tem seu público atingido em cheio por essa deficiência, e isso emperra as vendas com certeza. 

TEREZA RECHE
Cultura e Intelectualidade caminham de mãos dadas, entretanto não são homogêneas... Afinal, a sociedade está mais intelectualizada ou apenas mais “antenada”? 

CEZAR CARNEIRO
Apenas antenada. Diria que na ausência da educação de qualidade, os dias atuais tem oferecido informação, por conta das facilidades de conexão ao mundo virtual. 

TEREZA RECHE
Em que está trabalhando atualmente (livros)? 

CEZAR CARNEIRO
Desenvolvo um projeto na área de educação, para o público juvenil; um trabalho sobre a cultura popular da minha terra natal, Aurora, CE; e um romance policial. Todos ainda sem títulos definidos. 

TEREZA RECHE
De suas obras, qual sente maior apreço e qual sua sinopse resumida? 

CEZAR CARNEIRO
OS PARASITAS. Trata de dois personagens que representam o povo brasileiro. Um deles _ Leonardo _ tenta mudar a realidade através da política, como Deputado Federal. Outro, _ Jardel _ um professor universitário tenta compreender a realidade, através da educação. Ambos descobrirão que a realidade é manipulada, e que mudá-la será uma tarefa praticamente impossível, porque para isso, seria preciso romper as barreiras plantadas pelo Sistema. E ele é cruel, corrupto e desumano. É um drama perturbador e muito realista. 

TEREZA RECHE
É complexo discutir política hoje no Brasil, entretanto é nítido que ser escritor hoje, e não me refiro aos últimos poucos anos, cito décadas e décadas atrás, é extremamente dificultoso. Porém, devido à crise intensa em que vivemos, e o foco dos auxílios do atual governo não ser os profissionais escritores, como você analisaria do seu ponto de vista, o futuro das Editoras, dos escritores iniciantes e por fim dos livros físicos? 

CEZAR CARNEIRO
Os livros físicos ainda são os preferidos, ainda que o mercado invista pesado nos livros virtuais. Nada substitui o prazer de folhear o livro físico. Editoras, autores e livros, perseverarão por muito tempo, ainda com toda a deliberada má vontade exercida pelo Governo. 

TEREZA RECHE
Quais seus planos para 2016 em relação a sua vida literária? 

CEZAR CARNEIRO
Aguardo a aprovação do meu 8º livro, o romance O ENIGMA DO FALCÃO, a ser lançado pela Editora Eme (SP) pela qual tenho dois romances publicados: O RESGATE DE CAMILO (2012), e A ESTAÇÃO (2015). 

TEREZA RECHE
Deixe sua mensagem aos leitores e colegas de profissão. 

CEZAR CARNEIRO
Aos meus colegas, desejo perseverança, foco, e muita atitude para que possam romper as dificuldades que impedem a publicação de obras literárias no país. Os poderosos não gostam de escritores, porque eles fazem o povo acordar. 

Aos leitores, toda a minha gratidão, pois sem eles, não haveria necessidade de escritores. 

A você, cara Tereza Reche, que é escritora e leitora, minha gratidão pela oportunidade de mostrar o meu trabalho e de representar nossa amada classe que tanto contribui para a formação do pensamento e do futuro deste imenso país. 

A todos, um grande abraço.
Luiz Cezar Carneiro Rodrigues 

                                                               Fortaleza, CE – 24/02/2016.

TEREZA RECHE
Eu quem o agradeço por ser, junto à mim e outros milhares de escritores, uma nação de novos horizontes. 

Caro Luiz Cezar Carneiro, foi um prazer ter sua participação no Blog Por Tereza Reche. 


sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016






DIVULGUE SEU LIVRO em  ENTREVISTA COM AUTORES



Se você é escritor ou possui algum trabalho artístico em geral, envie um e-mail para terezarch@gmail.com. Terei o prazer em divulgar suas obras e biografia a fim de disseminar a Literatura e Arte da melhor forma possível.

Enviarei em resposta ao seu e-mail 20 questões, você escolherá de dez à 20 perguntas e então retornará à mim juntamente com algumas fotos para elaboração da matéria. Não esqueça de uma sinopse de um de seus melhores trabalhos!

Aguardo seu e-mail!