terça-feira, 1 de março de 2016





- ENTREVISTA COM AUTORES VIII -

POR TEREZA RECHE


      Ben Baruch


A oitava entrevista é com o paulistano, de origem judaica, nascido em 12 de junho de 1957, Ben Baruch. Casado, pai de três filhos e avô de cinco netos que diz completar sua alegria e vontade de viver. O escritor estudou até o terceiro ano de Direito e em 1997, chegou ao Bacharelado em Teologia em um renomado Seminário Batista. 

Segundo Ben Baruch; Desde a infância dividi minha paixão entre o futebol e a leitura. Quando criança, preferia ganhar livros, enciclopédias e dicionários ao invés de brinquedos. Peguei gosto pela escrita aos nove anos de idade, devido a forte “influência” por parte de minhas professoras na época, que exigiam que seus alunos escrevessem em torno de 300 redações durante as férias escolares. Quando adolescente, aos 14 anos, apreciava Khalil Gibran e livros de filosofia clássica, como os de Platão e Sócrates. Depois dos 20 anos, lia tantos livros que não tinha mais lugar para guardá-los em casa e passei a frequentar a biblioteca municipal. Sempre acreditei que a cultura é o único bem que nunca poderá ser roubado de seu possuidor. Sou assumidamente um defensor da importância do conhecimento na vida do homem, por isso procuro escrever textos inspiradores, voltados para o fortalecimento emocional e espiritual das pessoas, escritos esses que têm como principal objetivo semear a positividade entre os leitores e transmitir para estes a certeza de que o caminho do amor ao próximo é sempre a melhor escolha.


TEREZA RECHE

Como e quando o sr(a) iniciou sua carreira, e o que o levou a isso?


BEN BARUCH


Como disse anteriormente, o gosto pela escrita surgiu ainda na infância, quando minhas professoras do Ensino Fundamental (primário na época) faziam com que produzíssemos em torno de 300 redações nas férias do 3º e 4º anos. Depois, já adulto, comecei escrevendo em Blogs e posteriormente reuni os textos em livros que eram distribuídos gratuitamente em formato PDF. Agora, por sugestão de amigos, estou revisando-os e disponibilizando-os na forma impressa. 


TEREZA RECHE
Cite suas obras e onde encontrá-las por gentileza.

BEN BARUCH


Disponíveis para venda são: Uma História de Amor e Na Dimensão do Espírito. Os pedidos podem ser feitos através dos emails: benbaruch@hotmail.com ou reservas@benbaruchlivros,com.br ou ainda, inbox em minhas páginas no Facebook: https://www.facebook.com/benbaruchlivros/



Em fase de revisão: Universo de nós dois; Ciúme, esse mal tem cura!; Aprendendo com os erros alheios; Reencarnação – farsa ou realidade? Entre outros.




TEREZA RECHE
Você acha que a figura do “leitor” continua em segundo plano nas reflexões literárias? 

BEN BARUCH


Sou avesso aos extremos, mas infelizmente em alguns casos, parece que o desejo do lucro e da projeção do autor acabam gerando obras que deixam de lado o ser humano. Não existe o desejo de fazê-lo refletir sobre o mundo e as pessoas que o cercam, existe apenas o desejo consumista de entreter sem instruir.


TEREZA RECHE

A Literatura há alguns anos, vem tomando novo corpo, a tecnologia propiciou isso. Publicações virtuais, facilidade em se auto publicar, dentre outras vias. Ao seu ver, como escritor da atualidade, esse cenário é de fato benéfico à Literatura, ou precisamos rever nossos conceitos?



BEN BARUCH

Embora prefira textos impressos, acredito que as publicações virtuais são benéficas, pois oferecem a preços convidativos obras que se impressas poderiam inviabilizar a comercialização para algumas camadas da população. Tendo-se em vista a dificuldade em se publicar um título através de uma Editora, a auto publicação é uma alternativa. O ideal seria que todos tivessem as mesmas possibilidades junto aos editores. Infelizmente, essa ainda é uma realidade muito distante. Talvez, como conversamos em outra oportunidade, a criação de uma Associação de Escritores, onde os membros contribuíssem mensalmente e a cada semestre um ou mais autores fossem sorteados para terem um título publicado com as despesas pagas pela Associação seria uma alternativa.


TEREZA RECHE

Qual o papel do escritor, em relação a disseminação e consequente transformação mental, intelectual e filosófica dos leitores como sociedade? 



BEN BARUCH

Responsabilidade! Somos formadores de opinião, por isso somos responsáveis pelos conceitos que formulamos, pelas ideias que disseminamos, pelas bandeiras que asteamos.

TEREZA RECHE

Qual a sua leitura de ficção brasileira hoje? É possível traçar vertentes e características?



BEN BARUCH
Durante praticamente duas décadas minha leitura baseou-se em textos éticos e morais religiosos, fossem eles Judaicos ou Cristãos. Recentemente fui presenteado com um exemplar do livro "Rawena" da escritora Angie Stanley, após a leitura, enviei-lhe uma mensagem agradecendo por me proporcionar uma leitura tão agradável e descompromissada. Descompromissada no tocante à leveza do texto.



TEREZA RECHE

Escrita ou Vendas? Partindo do seu ponto de vista, qual desses substantivos femininos melhor se encaixaria no cenário literário atual? E por que?



BEN BARUCH

Vendas. Obviamente, sem generalizar, editores e escritores estão mais preocupados em produzir obras que gerem retorno financeiro em detrimento daquelas que produzam mudanças sadias na sociedade e na mente do leitor, fazendo-o rever conceitos e estabelecer padrões éticos e morais de comportamento. Se o que dá retorno no momento são os "vampiros" e "zumbis", vamos massificar o leitor com esses temas. Infelizmente esse parece ser o pensamento dominante nos últimos anos.

TEREZA RECH

Qual escritor admira? E qual escrita aguça sua curiosidade literária?

BEN BARUCH
Gosto dos livros de Nicholas Sparks. Aprecio muito a sua maneira de escrever. Livros investigativos sempre me chamaram a atenção, quer sejam temas atuais ou não. Admiro a audácia e a determinação de seus autores na busca pela verdade dos fatos.


TEREZA RECHE
Como você avaliaria a literatura que se encontra no ranking dos melhores e mais vendidos? Existe obrigatoriamente que se seguir critérios para a criação literária? Justifique-se. 



BEN BARUCH
Levando-se em conta que os “melhores e mais vendidos”, via de regra estão nas mãos das grandes Editoras e ocupam espaços “privilegiados” nas Livrarias (a preços nada convidativos para os pequenos), acredito que são mais produto de marketing envolvendo seus autores do que propriamente pela qualidade dos textos. Desculpe-me se pareço extremamente crítico nesse sentido, mas é o que vemos todos os dias: os mesmos autores, as mesmas editoras, os mais vendidos nas mesmas Livrarias e aí por diante. 

Acredito que o melhor critério é o da inspiração associada à responsabilidade dos textos. Mesmo obras de ficção podem conter informações que produzam nos leitores o desejo de alterar o rumo das coisas que o cercam, de estabelecer padrões que colaborem na construção de um mundo melhor. 





TEREZA RECHE

Que problemática você destacaria na prática da difusão cultural no país? Como poderíamos resolver, senão amenizar tal situação?



BEN BARUCH

Nosso país é composto por várias etnias, poucas são as famílias consideradas nativas, a maioria ainda está na 2ª ou 3ª geração de imigrantes que aportaram por aqui na esperança de viverem em paz e alcançarem prosperidade e segurança para seus entes queridos. Essa mistura saudável torna nosso país um celeiro cultural de proporções gigantescas, mas nossos governantes não buscam valorizar essa miscigenação, ao contrário, preferem oferecer uma educação de péssima qualidade, justamente nos anos mais férteis, que englobam a fase cognitiva das crianças e a sua adolescência. Como não se pode reprovar o aluno negligente e desatento, incentivamos a falta de interesse com a aprovação oficializada. Isso gerou um problema crônico: os professores (nem todos é claro) fingem que ensinam e os alunos (a maioria) fingem que aprendem. Consequentemente, poucos são os que apreciam a leitura e a pesquisa. Para amenizar essa situação seria necessária uma total reformulação educacional em todas as esferas. O ideal seria uma total conscientização da população pela necessidade de uma educação de qualidade, mas isso, nos moldes que vemos hoje parece ser apenas um pensamento distante ou um desejo utópico.


TEREZA RECHE

Como profissional literata, ao criar um novo livro, você exerce a escrita racional ou permite que a inspiração flua de maneira livre?



BEN BARUCH

Acredito sempre no equilíbrio: Nem tanto ao mar nem tanto à terra. A inspiração nos faz flutuar num universo onde tudo é possível, por isso prefiro colocar uma "pitada" de racionalidade para manter o leitor com os pés na realidade. 


TEREZA RECHE

O que você, na pele de leitor, jamais leria?



BEN BARUCH

Plágio. Vejo obras sendo "escritas" por autores diferentes, mas ao olhar as sinopses, percebo que são cópias umas das outras, muda-se apenas os nomes dos personagens, mas começo, meio e fim são exatamente iguais. 


TEREZA RECHE

Escritor incondicionalmente o sendo por amor. Existe?



BEN BARUCH

Sim, existe. Considero-me um deles. Nem todos escrevem para enriquecer, muitos o fazem pelo simples prazer de escrever e de ver a satisfação de seus leitores. O reconhecimento pelo seu trabalho os motiva a seguir em frente, produzindo obras de qualidade. Para eles, a recompensa financeira não vem em primeiro lugar, pode ser apenas a consequência natural que coroará a sua dedicação e entrega na elaboração dos textos. 


TEREZA RECHE

Por que na sua opinião, certos gêneros, por mais interessantes que pareçam ser, não vendem no mercado atual literário?



BEN BARUCH

Talvez porque falem mais de perto à realidade e grande parte dos leitores não está interessada nela. Preferem aquelas que apenas os distraia, os faça distanciarem-se dela. Querem apenas entretenimento e não informação. 


TEREZA RECHE

Cultura e Intelectualidade caminham de mãos dadas, entretanto não são homogêneas... Afinal, a sociedade está mais intelectualizada ou apenas mais “antenada”?



BEN BARUCH

Certamente mais "antenada". Com a globalização e as facilidades da Internet as pessoas acabam tendo um conhecimento fragmentado de quase tudo. Conhecem o macro, mas poucos têm condições de estabelecer um diálogo sobre o micro, sobre os detalhes. Vivemos em meio à geração do "cola-copia". Um dia depois de feita uma pesquisa, o "pesquisador" não consegue simplesmente explicar sobre o que "pesquisou". Lamentável, mas real!


TEREZA RECHE

Em que está trabalhando atualmente (livros)?



BEN BARUCH

No livro "Universo de nós dois". Este romance inicia-se no final do século XIX com repercussões nos dias atuais. Ele complementa o romance poético "Uma História de Amor". Narra a origem do amor entre Felipe e Camila e todas as consequências que este amor gerou em meio a uma França preconceituosa e antisemita.


TEREZA RECHE

De suas obras, qual sente maior apreço e qual sua sinopse resumida?



BEN BARUCH

Gostaria de citar duas porque representam fases distintas. 



"Uma História de Amor" – conta a história de amor entre Felipe e Camila. Foi meu primeiro romance, meu primeiro livro de cunho não espiritualista. Escrito em forma de poesias, contém um texto introdutório antes de cada poema fazendo com que o leitor entenda como Felipe se sentia e os motivos o levaram a escrevê-lo para Camila, aquela que ele considera sua alma gêmea. Narra a história de um homem apaixonado que reencontra um grande amor que ele julgava perdido no tempo e no espaço físico. Conta em ordem cronológica os acontecimentos que se seguiram e de como se entregaram de corpo e alma na tentativa de recuperarem o tempo em que ficaram separados. 

"Na Dimensão do Espírito" – Durante anos administrei blogs que obtiveram sucesso junto a diversos grupos, fossem eles religiosos ou não. Talvez por este motivo eu tenha preferido revisá-lo e publicá-lo em primeiro lugar. Na Dimensão do Espírito contém algumas das reflexões postadas nestes espaços. Trata-se de um livro espiritualista que tem por objetivo integrar Corpo, Alma e Espírito na construção de um mundo melhor. Divide-se em três partes: Conhecendo-se a si mesmo, Conhecendo a D'us e Relacionamentos humanos. Ao saber quem somos e para que fomos criados, aprenderemos a nos relacionar com o nosso próximo sem conflitos ou julgamentos e compreenderemos que o amor é o ponto de equilíbrio e de ligação entre todos os seres criados. 


TEREZA RECHE

Quais seus planos para 2016 em relação a sua vida literária?



BEN BARUCH

Tentar organizar meu tempo disponível para escrever. Atualmente está muito reduzido em razão da minha atividade profissional. 



Publicar o livro "Universo de nós dois", revisar títulos que estavam guardados há algum tempo e disponibilizar ao menos um deles ainda este ano.


TEREZA RECHE
Deixe sua mensagem aos leitores e colegas de profissão. 


BEN BARUCH


Queridos leitores, vivemos dias difíceis, onde a verdade parece ser produto de ficção e a corrupção e a inversão de valores parecem ser os critérios que devem moldar esta e as proximas gerações, mas isso, de forma alguma deve nos impedir de dizer a verdade e de promover o amor e a cooperação entre os homens. Custe o que custar, seja alguém compromissado com a verdade, mesmo que tenha que remar contra a maré permaneça fiel à sua consciência. Um mundo melhor, mais unido, feliz e solidário começa em nós! 



Colegas, particularmente sempre preferi escrever sobre aquilo em que acredito, procurando deixar uma mensagem de otimismo e confiança em meus leitores, Não importa o gênero escolhido, o importante é saber que somos responsáveis pelo que compartilhamos com nossos leitores. Um texto bem elaborado pode transformar vidas, alterar situações adversas e resgatar a alegria e a dignidade onde muitas vezes havia apenas tristeza e desilusão. Pensemos nisso todas as vezes em que iniciarmos um novo trabalho. Boa sorte a todos. 

À você, querida amiga Tereza Reche, gostaria de agradecer por esta oportunidade e desejar-lhe todo o sucesso e o reconhecimento que você merece por seu talento e simpatia. Muito obrigado!


TEREZA RECHE
Eu quem agradeço imensamente pela sua colaboração com a Coluna. 




























Caro Ben Baruch, foi um prazer ter sua participação no Blog Por Tereza Reche.


Escritora Tereza Reche

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016





- ENTREVISTA COM AUTORES VII -
POR TEREZA RECHE



Ademar Martins Ferreira


A sétima entrevista na Coluna Entrevista com Autores é com Adhemar, Cientista político formado pela Unicamp, onde fez pós graduação em Jornalismo Científico. Editor do site www.novomomento.com.br e a ‘analista do cotidiano’ desde 2006.


ENTREVISTA

TEREZA RECHE
Como e quando o sr(a) iniciou sua carreira, e o que o levou a isso?

ADHEMAR
O pensamento sempre aflige e nos atinge. O que fazemos com ele é o que nos torna escritores, analistas ou meros ‘conversadores de boteco’. 

TEREZA RECHE
Cite suas obras e onde encontrá-las por gentileza.

ADHEMAR
Todos os pensamentos estão no novomomento.com.br. Ainda não formulei uma linha dos pensamentos para publicação. 

TEREZA RECHE
Você acha que a figura do “leitor” continua em segundo plano nas reflexões literárias? 

ADHEMAR
Não. O leitor tem papel fundamental, porque ele é o cidadão, o consumidor, o ator e sobre ele (como indivíduo) ou em grupo (sociedade) são feitas as reflexões da literatura. 

TEREZA RECHE
A Literatura há alguns anos, vem tomando novo corpo, a tecnologia propiciou isso. Publicações virtuais, facilidade em se auto publicar, dentre outras vias. Ao seu ver, como escritor da atualidade, esse cenário é de fato benéfico à Literatura, ou precisamos rever nossos conceitos?

ADHEMAR
Considero sim positiva a tecnologia, porque permite que todos sejam publicados. Quem tiver qualidade vai sobreviver ou se destacar. 

TEREZA RECHE
Qual o papel do escritor, em relação a disseminação e consequente transformação mental, intelectual e filosófica dos leitores como sociedade? 

ADHEMAR
Não necessariamente seja papel do escritor estar na vanguarda do pensamento, mas muito da boa literatura tem influenciado e apontado problemas graves da sociedade ocidental. 

TEREZA RECHE
Qual a sua leitura de ficção brasileira hoje? É possível traçar vertentes e características?

ADHEMAR
Hoje boa parte da ficção é feita bastante ligada à produção para a TV e o teatro. Minha impressão é que o realismo fantástico é bastante presente na literatura brasileira contemporânea. 

TEREZA RECHE
Escrita ou Vendas? Partindo do seu ponto de vista, qual desses substantivos femininos melhor se encaixaria no cenário literário atual? E por que?

ADHEMAR
Escrita. Em grande volume. As vendas devem se adaptar ao longo dos próximos anos para fazer valer quem tem qualidade ou tem como foco viver de literatura.

TEREZA RECHE
Qual escritor admira? E qual escrita aguça sua curiosidade literária? 

ADHEMAR
Difícil falar um. Mas dois eu destaco. Saramago e Dostoievski. Formam a base da minha visão de mundo. Franceses, ingleses e russos do século XIX (Dostoievski, Tolstoi, Maxim Gorki e vários outros). Alemães e americanos do começo do século XX (Mann, Fitzgerald, Hemingway) e portugueses e espanhóis do final do século XX. Japoneses pop da virada do século também soam muito interessantes.

TEREZA RECHE 
Como você avaliaria a literatura que se encontra no ranking dos melhores e mais vendidos? Existe obrigatoriamente que se seguir critérios para a criação literária? Justifique-se. 

ADHEMAR
Vivemos a ‘aldeia global’ e a literatura e o cinema adolescente dominam as vendas. Talvez nas próximas décadas haja uma mudança para que o tipo de literatura fique mais adulto (menos zumbis, vampiros, lobos). Os critérios são necessários, mesmo na criação mais fantástica. O leitor precisa ter um mínimo de informação para entender o que pretende o texto. 

TEREZA RECHE
Que problemática você destacaria na prática da difusão cultural no país? Como poderíamos resolver, senão amenizar tal situação?

ADHEMAR
O problema fundamental do país é a educação. Ainda dependemos muito dos serviços públicos para a cultura. Apesar de o país ter avançado no consumo geral, falta a direção para o consumo de cultura. Mas este vai crescer com o maior acesso à educação. 

TEREZA RECHE
Como profissional literata, ao criar um novo livro, você exerce a escrita racional ou permite que a inspiração flua de maneira livre?

ADHEMAR
A escrita racional é o norte de todo escritor que almeje atingir o grande público. Mas se não houver a fantasia (inspiração) fica muito difícil criar algo novo e atraente.

TEREZA RECHE
O que você, na pele de leitor, jamais leria?

ADHEMAR
Auto-ajuda

TEREZA RECHE
Escritor incondicionalmente o sendo por amor. Existe?

ADHEMAR
Desde que tenha um meio outro de vida, sim. Mas profissionalmente falando, somente depois da estabilidade financeira. 

TEREZA RECHE
Por que na sua opinião, certos gêneros, por mais interessantes que pareçam ser, não vendem no mercado atual literário? Qual a estratégia, se é que existe, a ser posta em prática para que este obstáculo seja vencido? 

ADHEMAR
Isso depende do mercado. O escritor precisa dialogar com a sociedade. Quem diria que vampiros e zumbis fariam mais sucesso hoje que a literatura tradicional, ou que mitologia grega, por exemplo. A estratégia fundamental é trabalhar com qualidade. Seja falando de tupi, mitologia africana ou qualquer outro tema. Ler, antes de escrever.

TEREZA RECHE
Cultura e Intelectualidade caminham de mãos dadas, entretanto não são homogêneas... Afinal, a sociedade está mais intelectualizada ou apenas mais “antenada”?

ADHEMAR
Mais antenada, claro. Se isso vai nos levar a um avanço para a intelectualidade, depende do tempo e do interesse coletivo. O perfil de intelectual também varia com o tempo. Quem sabe não tenhamos um futuro em que conhecer cultura pop seja o supra sumo da intelectualidade? 

TEREZA RECHE
Em que está trabalhando atualmente (livros)?

ADHEMAR
Tenho a ideia de escrever um romance que trate da urbanização recente do Brasil (de 1970 a 2000). Uma história que envolva o reconhecimento do indivíduo na cidade grande. O pertencimento, o caipira no mundo urbano e interligado.

TEREZA RECHE
De suas obras, qual sente maior apreço e qual sua sinopse resumida?

ADHEMAR
Ainda no prelo.

TEREZA RECHE
É complexo discutir política hoje no Brasil, entretanto é nítido que ser escritor hoje, e não me refiro aos últimos poucos anos, cito décadas e décadas atrás, é extremamente dificultoso. Porém, devido à crise intensa em que vivemos, e o foco dos auxílios do atual governo não ser os profissionais escritores, como você analisaria do seu ponto de vista, o futuro das Editoras, dos escritores iniciantes e por fim dos livros físicos? 

ADHEMAR
O futuro está nos livros eletrônicos e na associação com a produção para TV e Teatro. As editoras tendem a se associar a empresas de telefonia para ampliar as vendas. Existem gostos os mais diversos para serem contemplados e textos para satisfazer essa demanda.

TEREZA RECHE
Quais seus planos para 2016 em relação a sua vida literária?

ADHEMAR
Ler, antes de escrever. E escrever pequenos contos.

TEREZA RECHE
Deixe sua mensagem aos leitores e colegas de profissão. 

ADHEMAR
O futuro está nas nossas mãos e vamos ser capazes de mudar a sociedade quando mais entendermos dela. Leia de tudo e escreva impressões do que leu e de coisas que observa no dia-dia.


domingo, 28 de fevereiro de 2016



- ENTREVISTA COM AUTORES VI -

POR TEREZA RECHE

Diego de Toledo Lima da Silva



A sexta entrevista com autores, é com o Técnico Ambiental formado pelo Colégio Rio Branco, Bragança Paulista/SP, redator da "Revista Eletrônica Bragantina online".
Formou-se em Engenharia Ambiental pelo Instituto Superior de Ciências Aplicadas, de Limeira/SP. É servidor público estadual, andarilho e cronista, amante da história e da literatura, dedica-se ao “mundo das crônicas” há três anos. Foi vencedor do 1º Prêmio Radiotelegrafista Amaro Pereira de Crônica, com o texto “Viagem memorial”, e 3º colocado no 2º Prêmio Radiotelegrafista Amaro Pereira de Crônica, com o texto “A carta do embornal”.

TEREZA RECHE 
Como e quando o sr(a) iniciou sua carreira, e o que o levou a isso?

DIEGO DE TOLEDO
Trabalhava com educação e conscientização ambiental, sendo que em determinado momento notei que não conseguia alcançar mais pessoas, ampliar sua sensibilidade ambiental. Por meio dos textos de meu amigo Susumu Yamaguchi, iniciei a escrita de crônicas e a narrativa de minhas caminhadas.

TEREZA RECHE 
Cite suas obras e onde encontrá-las por gentileza.

DIEGO DE TOLEDO
Boa parte de minhas obras estão publicadas na internet, como os artigos publicados na Revista Bragantina On Line e no Caderno Rural do Jornal Piracaia Hoje, além do próprio Scribd. Tenho um livro publicado pelo Clube de Autores, com o título “Crônicas Mantiqueiras”, que pode ser adquirido pelo link: http://www.clubedeautores.com.br/book/168255--Cronicas_Mantiqueiras. Este livro gerou um projeto/site com o mesmo título, que pode ser acessado pelo link: https://sites.google.com/site/cronicasmantiqueiras. Meus trabalhos também podem ser acessados pelo Facebook: https://www.facebook.com/diego.detoledo.7 e pelo Google+: https://plus.google.com/u/0/+DiegodeToledo

TEREZA RECHE 
Você acha que a figura do “leitor” continua em segundo plano nas reflexões literárias? 

DIEGO DE TOLEDO
Acredito que isso depende do estilo literário e do próprio autor. Sempre que escrevemos algo escrevemos para alguém, mesmo que muitas vezes as produções sejam sobre nossas próprias histórias, anseios, pensamentos e sentimentos. Escrevendo com o coração atingimos o leitor em seu próprio interior, mais cedo ou mais tarde. As palavras são eternas, os escritores passageiros.

TEREZA RECHE 
A Literatura há alguns anos, vem tomando novo corpo, a tecnologia propiciou isso. Publicações virtuais, facilidade em se auto publicar, dentre outras vias. Ao seu ver, como escritor da atualidade, esse cenário é de fato benéfico à Literatura, ou precisamos rever nossos conceitos?

DIEGO DE TOLEDO
É muito benéfico, mas exige bastante adaptação do escritor. A base da produção dos cronistas amadores (como eu) continua sendo uma folha de papel em branco e uma caneta. Posteriormente, o texto é passado para o computador e para as várias mídias virtuais/sociais. Falo pela minha experiência com meu primeiro livro, que a comercialização de obras auto publicáveis é bastante complicada, principalmente para quem exerce uma atividade profissional. Mas a internet e as mídias sociais propiciam agilidade na disseminação de nossas palavras. Assim, dependendo do ponto de vista, existem pontos ruins e bons.


TEREZA RECHE
Qual o papel do escritor, em relação a disseminação e consequente transformação mental, intelectual e filosófica dos leitores como sociedade? 

DIEGO DE TOLEDO
É um papel excitante e ao mesmo tempo de grande responsabilidade. Mesmo que muitas vezes não conseguimos a tal “transformação”, mas proporcionamos reflexão para diversos fatores, como: natureza, história, gente e o próprio tempo. Já consegui emocionar algumas pessoas, consegui que outras percorressem os mesmos caminhos que percorri... Isso é uma coisa fantástica! Somos uma metamorfose ambulante neste mundo louco e, infelizmente, ainda cheio de guerras!

TEREZA RECHE
Qual a sua leitura de ficção brasileira hoje? É possível traçar vertentes e características?

DIEGO DE TOLEDO
Confesso que não leio livros de ficção. Com base nas minhas leituras, vejo muitas coisas reais misturadas com ficção, com sonhos e com pensamentos. Isso é algo maravilhoso, imagine você lendo um texto no qual a realidade e a ficção não possam ser separadas. É uma viagem psicodélica (risos!). 

TEREZA RECHE
Escrita ou Vendas? Partindo do seu ponto de vista, qual desses substantivos femininos melhor se encaixaria no cenário literário atual? E por que?

DIEGO DE TOLEDO
Pergunta difícil hein...? Na minha opinião, vendas. Mas acredito friamente na escrita, pois temos milhares de autores que não são ricos, muito menos escritores profissionais. Somos amadores e isso não é vergonha pra ninguém, pois amador ama o que faz, dedica-se mesmo sem receber financeiramente (muitas vezes) para àquilo.

TEREZA RECHE
Qual escritor admira? E qual escrita aguça sua curiosidade literária?

DIEGO DE TOLEDO
O grande Rubem Alves, Vinicius de Moraes, Graciliano Ramos, Teodoro Sampaio, Euclides da Cunha, meu falecido amigo, escritor e historiador Amilcar Barletta, além de meu grande camarada, do alto da Serra da Mantiqueira, Susumu Yamaguchi. Quant à escrita, prefiro crônicas e relatos, acho fantástico.


TEREZA RECHE
Que problemática você destacaria na prática da difusão cultural no país? Como poderíamos resolver, senão amenizar tal situação?

DIEGO DE TOLEDO
Esta é uma questão complicada e ainda sem solução. Arrisco dizer que daqui 15 anos estaremos falando da mesma questão. Na minha opinião, a escola é a base de tudo, de toda mudança. Mas qual é o alcance de nossos textos no ambiente escolar? Somos tantos pequenos autores espalhados pelos vários cantos do país, imaginem a capacidade de difusão cultural e disseminação de boas coisas pelas escolas do país, seria uma questão de abrir espaço e de possibilidade no próprio plano curricular.

TEREZA RECHE
Como profissional literata, ao criar um novo livro, você exerce a escrita racional ou permite que a inspiração flua de maneira livre?

DIEGO DE TOLEDO
No meu processo de criação não existe escrita racional, sistemática. É tudo inspiração, movimento que flui da alma, do espírito, com toda liberdade que merece. É algo fantástico...

TEREZA RECHE
O que você, na pele de leitor, jamais leria?

DIEGO DE TOLEDO
Palavras mentirosas, histórias falsas e não vividas.

TEREZA RECHE
Escritor incondicionalmente o sendo por amor. Existe?

DIEGO DE TOLEDO
Existe, pessoalmente conheço uma meia dúzia por aí (risos). Mesmo não ganhando dinheiro, nem aparecendo na grande mídia, um elogio de vez em quando sempre é bom para o ego e para o espírito.


TEREZA RECHE
Por que na sua opinião, certos gêneros, por mais interessantes que pareçam ser, não vendem no mercado atual literário? Qual a estratégia, se é que existe, a ser posta em prática para que este obstáculo seja vencido? 

DIEGO DE TOLEDO
Este não é um fenômeno exclusivo da literatura, mas também da música, por exemplo. Certos gêneros literários nunca vão acabar, mesmo que seu espaço seja pequeno. No entanto, acredito que há espaço para todos os gêneros e estilos literários, cabe a cada leitor refletir sobre isso e abrir sua mente.

TEREZA RECHE
Cultura e Intelectualidade caminham de mãos dadas, entretanto não são homogêneas... Afinal, a sociedade está mais intelectualizada ou apenas mais “antenada”?

DIEGO DE TOLEDO
Com certeza, apenas mais “antenada”. Sem dúvidas, a intelectualidade dos dias atuais é menor que em outros tempos, e temos perdidos muitas boas pessoas, seja pela idade ou por outros fatores. Cabe a nós, mais jovens, ouvir as histórias destas pessoas, absorver seus conhecimentos e suas palavras. E, com base nelas, aperfeiçoar nosso caráter, nossas próprias experiências. 

TEREZA RECHE
Em que está trabalhando atualmente (livros)?

DIEGO DE TOLEDO
Atualmente, não tenho trabalhado em nenhum livro. Mas tenho produzido muito (uma base de cinco crônicas por mês), textos maravilhosos. O site Crônicas Mantiqueiras está dando um bom retorno, bem como as publicações em Jornais Regionais. 

TEREZA RECHE
De suas obras, qual sente maior apreço e qual sua sinopse resumida?

DIEGO DE TOLEDO
Puxa! São tantas... Diria pra você que tenho dois textos especiais: “O som da eternidade” (https://sites.google.com/site/cronicasmantiqueiras/home/pub) e “Meu aniversário” (https://sites.google.com/site/cronicasmantiqueiras/textos/20). São belas lembranças de minha falecida avó paterna, produzidas em memórias reais misturadas a sonhos tão belos. São histórias que nos fazem sentir que estamos vivos, bem vivos neste mundo tão turbulento.

TEREZA RECHE
É complexo discutir política hoje no Brasil, entretanto é nítido que ser escritor hoje, e não me refiro aos últimos poucos anos, cito décadas e décadas atrás, é extremamente dificultoso. Porém, devido à crise intensa em que vivemos, e o foco dos auxílios do atual governo não ser os profissionais escritores, como você analisaria do seu ponto de vista, o futuro das Editoras, dos escritores iniciantes e por fim dos livros físicos? 

DIEGO DE TOLEDO
É bem complicado, todos estão buscando formas de se manter e de poder disseminar suas palavras. Penso que é um processo de adaptação bem difícil, onde vamos seguindo em frente, um dia após o outro.



TEREZA RECHE
Quais seus planos para 2016 em relação a sua vida literária?

DIEGO DE TOLEDO
Continuar produzindo belas crônicas, coisas do coração, belas palavras que emocionem outras pessoas, por mais simples que sejam... E que estas crônicas sigam ao lado de minhas andanças pelas estradas de chão de nossa terra.

TEREZA RECHE
Deixe sua mensagem aos leitores e colegas de profissão. 

DIEGO DE TOLEDO
Foi uma honra ser entrevistado e apresentar opinião sobre assuntos tão diversos e importantes para o ambiente literário. Eu sou apenas um bom caipira, um andarilho... As palavras, as frases e os textos formados não são meus, são de todos que buscam coisas belas, que lutam pelo resgate da história, da preservação ambiental e da valorização de nossa gente. Deixo aqui um trecho de uma crônica ainda não publicada: 

“Poemas encantados de dias tão iguais, instantes e estradas, versos e segredos do caminho. Envoltos na poeira do sertão, tendo um ao outro como apoio para vencer todo desafio.” 

                                                           Um abraço meus camaradas!





Caro Diego de Toledo, foi um prazer ter sua participação no Blog Por Tereza Reche.